Vila Nova de Foz Côa em "alta tensão"

De 20 de novembro a 1 de dezembro, a Ordem dos Enfermeiros, em parceria com a TSF, vai percorrer o interior do país, de norte a sul, para levar cuidados de saúde primários às populações mais isoladas.

José Eduardo Palavra cantou o fado em Vila Nova de Foz Côa antes de entrar para a Unidade Móvel da Ordem dos Enfermeiros. Quando saiu o fado foi outro. A tensão arterial estava descontrolada, a máxima (sistólica) estava a 19,2.

A enfermeira Paula Rodrigues, do serviço de cirurgia cardiotorácica dos HUC - Hospitais da Universidade de Coimbra - questionou se habitualmente tomava medicação. Está medicado, mas falha muitas vezes a toma do comprimido. E, em "casa de ferreiro, espeto de pau", como o próprio admitiu.

José Eduardo Palavra tem um filho médico e uma filha enfermeira. "Se a minha filha enfermeira soubesse disto puxava-me as orelhas", disse cá fora depois de sair da unidade móvel.

"Não se pode esquecer. Sabe quais são os riscos de andar com a tensão alta? A tensão não lhe dá dor nenhuma. Nem o AVC lhe vai dar se o tiver", alertou, depois de José ter manifestado que não sentia dores.

"A maioria dos doentes tem tensão alta e até têm sintomatologias, porque existe uma pressão a nível da cabeça, mas não ligam. E desvalorizam muito a mínima (a distólica). E aqui, a grande parte até tem enfermeiro e médico de família, alguns não vão é lá muitas vezes", esclarece a enfermeira Paula Rodrigues. A tensão arterial descontrolada foi mesmo o principal problema detetado ao longo da manhã.

Panorama diferente para Maria Odete, que depois dos rastreios, viu que os resultados estavam "todos muito bem", até porque Maria Odete tem cuidado com a saúde. "Em casa raramente como fritos: muitos cozidos e muitos grelhados", diz. Também faz exames com regularidade e lembra que, apesar de louvar a iniciativa da ordem dos Enfermeiros, a Cruz Vermelha de Vila Nova de Foz Côa faz o mesmo tipo de rastreios todas as sextas-feiras.

Desde 2010 que o município de Foz Côa tem uma unidade móvel a percorrer as 22 aldeias do concelho. "Na altura o projeto foi pioneiro", garante Andreia Polido de Almeida, da autarquia. Esta unidade, uma parceria com a Cruz Vermelha, é composta por uma equipa multidisciplinar: dois enfermeiros, assistente social e psicólogo.

Acrescenta também que além dos rastreios, e dos esclarecimentos, há também encaminhamentos para o Centro de Saúde. "Tem sido uma mais-valia esta equipa estar no terreno", afirma. E também por isso, refere, foi fácil aceitar a presença do "Ninguém está sozinho", da Ordem dos Enfermeiros, na Praça do Município.

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