Vila Nova de Poiares: "nas aldeias as pessoas estão isoladas e escondidas"

De 20 de novembro a 1 de dezembro, a Ordem dos Enfermeiros, em parceria com a TSF, vai percorrer o interior do país, de norte a sul, para levar cuidados de saúde primários às populações mais isoladas.

"Tentamos perceber o comportamento em termos de saúde que as pessoas têm. Tentamos que as pessoas, devagarinho, mudem comportamentos e estilos de vida, porque se não o fizerem de pouco lhes vale a medicação", explica-nos Isabel Gonçalves, enfermeira na Unidade de Saúde Pública, do ACES (Agrupamento de Centros de Saúde) Feira - Arouca, e que faz parte da equipa da Unidade Móvel de Saúde, que a Ordem dos Enfermeiros colocou a percorrer o interior do país, dentro do projeto "Ninguém está sozinho", em parceria com a TSF.

Segunda esta profissional de saúde é preciso ajudar a população a perceber que "a qualidade de vida obriga a mudar comportamentos em relação à saúde e aos estilos de vida". E isso, está sobretudo nas mãos de cada um.

Em Vila Nova de Poiares, na Praça da República, Isabel Gonçalves sublinha que "têm aparecido muitas pessoas com excesso de peso, quase a tocar a obesidade. Algo que é quase transversal a todo o país", mas também (e não só em Poiares) tem havido "muito a procura de pessoas que querem vir falar com alguém".

Lino Matos, é de Loures, mas reside temporariamente em Poiares. Conta-nos que os valores estavam todos normais, apesar de ser diabético tipo II. Mas, confessa que esperava isso, até porque tem estilos de vida saudáveis aos 72 anos. "Era muito gordo, mas com a diabetes comecei a cuidar-me e abati. Comecei a perceber que era bom para mim andar todos os dias de manhã", confessa. Por isso, levanta-se, bebe um iogurte natural, e faz uma caminhada de uma hora, cerca de 5 km. "O cérebro começa a puxar-me logo que me levanto para que vá fazer a caminhada", acrescenta.

Quanto a esta iniciativa da OE considera que "é muito importante, sobretudo para as pessoas das aldeias e não só aqui do concelho de Vila Nova de Poiares. Em Loures é igual, também há aldeias e as pessoas também estão isoladas e escondidas. É preciso ir ter com elas", adianta Lino Matos.

Aos 85 anos, Cesaltina Ferreira viu que estava tudo bem com os rastreios que fez. "Sempre tive muitas regras na alimentação: não como açucares nem sal a mais", diz.

Trocou Lisboa por Vila Nova de Poiares há mais de 54 anos, por amor.

Não tem médico de família, por isso agradeceu a consulta de enfermagem. "Acho muito bom, porque a população não está a ser bem atendida, como eu que não tenho médico de família. Por isso, quando tenho alguma coisa tenho de ir ao hospital. No outro dia precisei e tive de ir ao hospital e tinha mais de cem pessoas à minha frente", afirma.

Depois de Vila Nova de Poiares, o "Ninguém está sozinho" segue para Castanheira de Pêra.

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