Colesterol: O Bom, o Mau e o Vilão

"É fundamental para o organismo, mas em excesso aumenta bastante o risco cardiovascular" - Patrícia Vasconcelos, Hospital Amadora-Sintra.

PorTSF

Parece um paradoxo aos olhos dos leigos em matéria de saúde, mas o colesterol tantas vezes apontado como inimigo da saúde é uma gordura crucial para o funcionamento do organismo humano. Em parte, é produzido pelo fígado, mas também é obtido através da alimentação e em excesso entope artérias e provoca aterosclerose que contribui bastante para os problemas cardiovasculares.

O colesterol bom com a designação clínica "HDL" tem a função de nos proteger, ajudando a eliminar gorduras do organismo. O que é considerado mau, é o "LDL" começa por explicar Patrícia Vasconcelos, médica de Medicina Interna do Hospital Fernando da Fonseca na Amadora. "O colesterol bom tem um efeito benéfico porque transporta o excesso de colesterol de outras zonas do corpo de volta para o fígado, onde é produzido e consegue removê-lo do organismo. O colesterol considerado mau é o que mais preocupa porque é o responsável pelo processo aterosclerótico".

A aterosclerose acontece quando o excesso de gordura entope as artérias e afeta o fluxo normal de sangue. Com este entupimento, o risco de contrair uma doença cardiovascular cresce consideravelmente. Existem vários tipos de manifestações no processo aterosclerótico. "Podemos ter um enfarte, se for o coração, ou podemos ter um AVC, se for a parte cerebrovascular. Outra consequência pode ser a doença arterial periférica que afeta as artérias dos membros inferiores, uma patologia muito incapacitante", explica Patrícia Vasconcelos, acrescentando que a aterosclerose também está em determinados momentos na origem da disfunção erétil do homem.

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A especialista esclarece que a aterosclerose é um processo irreversível e que afeta todas as pessoas mais cedo ou mais tarde ao longo da vida. Por norma, as manifestações surgem aos 80 anos. No entanto, se houver fatores que as potenciem, os efeitos podem ocorrer mais cedo geralmente a partir dos 50 ou 60 anos. Uma das razões para a aceleração do processo é a dislipidemia, ou seja, quando o colesterol mau (a gordura) atinge níveis elevados no sangue. A médica alerta ainda para outros fatores que potenciam e desregulam os níveis de colesterol no sangue, como a hipertensão arterial, a diabetes, o tabagismo, o sedentarismo, a obesidade e o stress.

Adotar um estilo de vida saudável é o primeiro passo para evitar as doenças cardiovasculares, enfatiza a médica. Se isto não for suficiente para controlar ou minimizar os valores do colesterol mau, deve ser avaliada a necessidade de iniciar a terapêutica farmacológica. "As estatinas são os fármacos de primeira linha para o tratamento do colesterol", informa Patrícia Vasconcelos acrescentando que são medicamentos utilizados para a prevenção. Sobre receios de eventuais distúrbios endócrinos e metabólicos provocados pela terapêutica, a médica é perentória. "Apesar de alguns mitos que têm surgido ao longo dos anos sobre o efeito destes medicamentos, as estatinas são seguras e na maioria bem toleradas".

Manter o nível de colesterol LDL bem controlado é a melhor arma contra o inimigo da saúde cardiovascular. Neste ponto a médica alerta para os níveis de referência fornecidos por laboratórios que, segundo ela, nem sempre são os mais corretos. "Podem ser enganadores, uma vez que o valor alvo assumido depende muito do risco cardiovascular de cada pessoa". Patricia Vasconcelos avisa que os valores de colesterol LDL recomendados não devem ultrapassar os 115 mg/dL, nas situações de baixo risco cardiovascular. Se o risco for maior, os valores não devem ultrapassar os 70 mg/dL. Na situação de risco cardiovascular muito elevado o LDL deve ser inferior a 55.

"Pela Sua Saúde Cardiovascular" é uma iniciativa TSF com o apoio da Servier Portugal.

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