Desmistificar factos e mitos da dislipidemia

"É preciso alertar as pessoas para a importância e o perigo do colesterol mau" - Gonçalo Proença, cardiologista, Hospital Lusíadas Lisboa.

O mau colesterol é a designação mais simples para explicar a dislipidemia, termo que designa as alterações dos lípidos que contribuem para o entupimento e rigidez das artérias, aquilo a que vulgarmente se chama "aterosclerose". A dislipidemia potencia a obstrução parcial ou total do fluxo sanguíneo que chega ao coração e ao cérebro.

O colesterol é uma gordura benéfica e essencial para o ser humano. No entanto, quando atinge determinados níveis no sangue, torna-se um inimigo perigoso. Gonçalo Proença alerta para o facto de os portugueses não estarem ainda suficientemente atentos aos níveis de colesterol, o que aumenta o risco cardiovascular. O especialista, também coordenador do serviço de cardiologia do Hospital de Cascais, admite que os profissionais de saúde têm de ter, eles próprios, um papel mais ativo e educar os doentes para este problema. A desvalorização do colesterol é universal. "Não há ainda uma atitude proativa no sentido de ser tão interventivo como seria necessário para reduzir o perfil lipídico [níveis de colesterol]. Não há a perceção da importância do colesterol como um fator de risco".

Segundo o cardiologista, o problema reside no facto de as pessoas interiorizarem a ideia de que sabem o que é a dislipidemia, mas, na realidade, terem uma ideia errada do significado de ter um bom nível de colesterol. Gonçalo Proença acredita que esse é um dos mitos da dislipidemia. "Isso deve-se muito aos laboratórios, porque ,quando emitem o relatório das análises, afirmam que os valores estão normais, mas verdadeiramente estão desajustados com a realidade. O doente não sabe distinguir entre o colesterol bom e mau, porque olham para as análises e pensam que está tudo bem, mas não está". A explicação é acrescida com outros comentários. "Os níveis de colesterol ideais dependem do perfil de cada doente. É importante que o profissional de saúde explique como se interpretam esses níveis, sobretudo, para quem tem risco cardiovascular alto ou muito alto. No entanto, todos devem estar atentos aos valores corretos, que podem ser mal interpretados pelas análises em alguns laboratórios".

A dislipidemia é uma doença silenciosa que não causa dor, o que a torna mais perigosa porque se manifesta apenas quando já não há possibilidade de prevenir. "Quando acontecem os verdadeiros problemas, os da primeira Liga, como costumo dizer" graceja o médico. "Existe a perceção generalizada de que o colesterol elevado é mau e perigoso, mas, na verdade, as pessoas não têm conhecimento real do perigo do colesterol elevado".

Gonçalo Proença chama ainda a atenção para os tratamentos indispensáveis para minimizar os riscos cardiovasculares. "Em Portugal, felizmente temos cada vez mais doentes medicados, mas ainda não se trata de doentes considerados adequadamente controlados. O colesterol não se sente e por isso o médico tem de ter um papel educativo antes que seja tarde de mais. Devemos todos empenhar-nos na prevenção primária".

O cardiologista considera necessário e urgente mudar mentalidades. Como exemplo e sugestão a colocar em prática cita a campanha que promoveu em Portugal o conhecimento sobre a hipertensão arterial que aumentou significativamente o número de doentes medicados e controlados. "As pessoas conseguiram perceber a importância e o risco dos níveis altos da pressão arterial. Essa consciência social não existe ainda para o colesterol. Temos estudos que mostram que é o principal fator de risco da doença cardiovascular e essa noção ainda não está verdadeiramente enraizada na população".

"Pela Sua Saúde Cardiovascular" é uma iniciativa TSF com o apoio da Servier Portugal.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de