Conservação, salvaguarda e valorização da Rota do Românico

A Rota do Românico integra 58 monumentos, sendo que a salvaguarda e valorização deste património fazem parte da génese do projeto Rota do Românico. Vamos viajar por estes monumentos?

Para conservar parte da História de Portugal, entre 2003 e 2020, 54 dos monumentos que integram a Rota do Românico (RR) nos vales do Sousa, Douro e Tâmega sofreram obras de beneficiação. Até 2022 está previsto um investimento total de 18 milhões de euros.

Ricardo Magalhães é o coordenador da área de Conservação e Salvaguarda da Rota do Românico. "Estamos a falar em olhar para os monumentos como algo que temos que preservar. São edifícios com quase mil anos de história, e temos a responsabilidade de manter esse património para o futuro. Sendo a RR um projeto turístico-cultural, sabemos que o turista sentir-se-á melhor e usufruirá mais se estes monumentos estiverem cuidados e esta é a nossa preocupação: que os monumentos que integram a RR estejam com um aspeto cuidado e tenham coerência ao nível da intervenção".

Ricardo Magalhães sublinha que todas as intervenções implicam um estudo prévio, existindo sempre respeito máximo por toda a história do monumento em causa. "Através de estudos de arqueologia, levantamentos arquitetónicos, diagnóstico estrutural, que depois vão dar pistas para a elaboração do projeto de intervenção nesses monumentos. Temos a responsabilidade do respeito pelo património edificado e antes de fazer uma intervenção temos que fazer um estudo muito aprofundado e um diagnóstico sobre o estado geral desse património para perceber quais as intervenções prioritárias. Mas sempre de forma a respeitar também o recheio artístico e móvel que existe nestes monumentos de elevado valor.".

Um trabalho que representa um dos maiores investimentos da Rota do Românico. "Dos 58 monumentos que integram a RR estamos a falar de diferentes tipologias: mosteiros, igrejas, pontes, torres, memoriais, etc. Portanto, estamos a falar de monumentos com diferentes escalas e com diferentes tipos de intervenção. As intervenções são sempre direcionadas relativamente à tipologia do monumento e às suas necessidades de intervenção. Muitas vezes é reportada numa fase inicial uma ou outra situação que carece do estudo prévio que vai levar à elaboração do projeto que tentamos sempre enquadrar em candidaturas a fundos comunitários para poder suportar esses custos, que geralmente são muito elevados".

Um dos monumentos que neste momento está a ser alvo de uma intervenção é a Igreja de Santo Isidoro, em Marco de Canaveses, construída na segunda metade do século XIII e que, em 2013, foi classificada como Monumento Nacional. "Há cerca de três anos foi detetado, durante uma inspeção, que havia alguns problemas estruturais numa cobertura que eram invisíveis a olho nu, mas que estavam a criar térmitas que estavam a deteriorar as madeiras da cobertura. De imediato lançámos os trabalhos de estudo, diagnóstico e de projeto que desencadearam uma candidatura. Está neste momento a decorrer essa empreitada que visa também dar um arranjo exterior mais interessante a esta igreja".

Ricardo Magalhães destaca também a intervenção no Mosteiro de Santo André de Ancede, em Baião. Um espaço que tem mais de 900 anos de história religiosa e trocas comerciais, e que foi um dos maiores entrepostos comerciais entre Portugal e a Flandres. O traço arquitetónico da recuperação é da autoria de Álvaro Siza Vieira. "Esta obra está neste momento em fase de concurso da empreitada, tem a ver com o arranjo do adro, e insere-se numa intervenção mais alargada também em parceria com o município de Baião. O projeto começou com a recuperação de celeiros, agora estamos também a desenvolver a empreitada para a recuperação do adro".

Se visitar este monumento, que integra o percurso Vale do Douro da Rota do Românico, aproveite para descobrir, nas imediações, a Ponte de Esmoriz, que também foi alvo de trabalhos de conservação pela Rota do Românico.

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