O Centro de Interpretação da Escultura Românica

O CIER foi inaugurado a 25 de julho de 2020, em Abragão, concelho de Penafiel, e o alicerce do seu projeto museográfico é a reconstituição da fachada da Igreja de São Pedro de Abragão, que foi destruída em 1668. São cerca de 300 metros quadrados de espaço expositivo, distribuído por seis áreas temáticas.

Depois da abertura em 2018 do Centro de Interpretação do Românico, em Lousada, este é o segundo grande equipamento de divulgação do património histórico-cultural promovido pela Rota do Românico (RR).

Ricardo Vieira, intérprete do património da RR, explica o que esteve na origem do CIER. "Existia um projeto para a construção do centro cívico de Abragão, num local onde havia a casa de um ferreiro. Quando executavam a obra encontraram cerca de 70 elementos pétreos com decoração românica, que seriam as pedras do século XIII, que compunham a fachada românica da Igreja de São Pedro de Abragão".

Peças aparelhadas, umas, esculpidas, outras, outrora pertencentes à antiga nave da Igreja de São Pedro de Abragão, reedificada na segunda metade do século XVII, foram incluídas na construção das paredes do edifício que serviu, durante largos anos, de oficina de ferreiro. Foram encontrados capitéis, bases, aduelas e fustes pertencentes a um portal que, pela dimensão e quantidade, permitem aos especialistas considerar tratar-se do antigo portal principal da Igreja de Abragão.

A reconstituição do portal e da rosácea da fachada principal da Igreja de Abragão, com base nos elementos pétreos, afirma-se como o motivo impulsionador de todo o projeto museográfico do CIER. Ricardo Vieira diz que "o Centro de Interpretação da Escultura Românica tem como ex-libris a reconstrução deste portal, com um vídeo mapping que conduz o visitante numa viagem no tempo desde 1105 até 1820, quando se dá a última obra na Igreja com a torre sineira".

O CIER oferece também ao visitante a possibilidade de conhecer o contexto temporal, social e cultural da arte românica. "Através do vídeo mapping temos uma perspetiva da vida da comunidade na Igreja, desde o batizado ao casamento até chegarmos à morte".

O CIER é constituído por uma superfície expositiva de cerca de 300 metros quadrados, distribuída por seis espaços temáticos: A Escultura Românica; Símbolos e Significados; Pedreiros e Escultores; Igreja de Abragão; Portal de Abragão; Nave/Projeção, num percurso que concilia as novas tecnologias com objetos e conhecimentos únicos.

A escultura "Boi", produzida pelo artista plástico Bordalo II, é a peça mais recente em exposição. "Uma obra muito colorida, com material reciclado, muito plástico, cartões, caixas de ovos... Uma peça muito curiosa, que acaba por representar a típica cabeça de boi que encontramos muitas vezes nas mísulas, que são pedras de suporte. Normalmente estas mísulas estão a suportar o portal da Igreja. É uma peça muito colorida e apelativa".

Para Ricardo Vieira a palavra "interatividade" é a que melhor define o CIER, um espaço que "mostra que as pedras falam e contam histórias. A Rota do Românico quer ajudar os visitantes a compreenderem o que esteve na origem destas histórias criadas no séculos XII e XIII".

O Centro de Interpretação da Escultura Românica, em Penafiel, possui o selo de estabelecimento "Clean & Safe" atribuído pelo Turismo de Portugal.

O CIER está aberto de quinta-feira a domingo, entre as 10h e as 13 horas e as 14h e as 18 horas. Às terças e quartas-feiras funciona mediante marcação prévia.

Uma curiosidade sobre o concelho que acolhe o CIER: sabia que Penafiel já foi diocese, entre 1770 e 1778, sendo que uma das razões para a sua criação ficou a dever-se ao anseio do Marquês de Pombal de afrontar o então bispo do Porto, com o qual não se entendia, retirando-lhe assim uma parte substancial da sua diocese e os respetivos rendimentos?

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