Os Memoriais da Rota do Românico e a lenda de Santo António

Atualmente, estão identificados sete memoriais em Portugal. Três localizam-se na Rota do Românico: o Memorial da Ermida (Penafiel), o Marmoiral de Sobrado (Castelo de Paiva) e o Memorial de Alpendorada (Marco de Canaveses).

Memoriais ou Marmoirais são monumentos medievais identificados apenas em Portugal e que têm diversas interpretações, como explica Joaquim Costa, Intérprete do Património da Rota do Românico. "Há quem diga que serviam para a colocação de túmulos, outros para evocar a memória ou até para cortejos fúnebres. De uma forma geral, considera-se que os memoriais servem para lembrar a memória de alguém importante ou que fez o bem, alguém que fez obras pias como a construção de pontes ou igrejas. Já o termo Marmoiral lembra a doença ou a morte de alguém".

Monumentos românicos que deram origem a diferentes lendas. Joaquim Costa começa por descrever o Memorial da Ermida, em Penafiel, que terá sido construído em meados do século XIII. "A principal característica do Memorial da Ermida é que tem uma base e por cima tem quatro caras onde vemos o que parece ser uma tampa sepulcral, ou seja, temos a base onde depois colocavam o caixão e esses quatro rostos são o apoio desta pedra sepulcral. Por cima temos ainda um arco de volta perfeita, o que caracteriza os memoriais.

Existem duas hipóteses sobre para quem este Memorial foi construído. Há quem diga que terá sido construído para lembrar D. Sousinho Álvares, mas este alcaide viveu no século XII e o Memorial da Ermida terá sido construído no século XIII. Perante este facto, acreditamos que este monumento terá sido construído para lembrar a memória de Mafalda Sanches, uma das filhas de D. Sancho I. Era uma devota de Nossa Senhora da Silva, uma imagem que estava na Sé do Porto. A 1 de maio de 1256 adoeceu gravemente em Rio Tinto e acabou por falecer neste local. Perante a questão onde iria ser sepultada, a povoação de Rio Tinto sugeriu que fosse sepultada no local onde faleceu. Contudo, como Mafalda Sanches vivia no Mosteiro de Arouca, a população defendeu que devia regressar a 'casa'. Até que alguém sugeriu que onde parasse a mula que transportava o corpo era onde D. Mafalda iria ser sepultada. O animal rumou para Arouca e foi aí que foi sepultada. Mas este cortejo fúnebre teve várias paragens e diz a lenda que onde a mula parou para descansar construíram-se Memoriais. Logo, o Memorial da Ermida terá sido construído para lembrar Mafalda Sanches, mais tarde beata Mafalda."

O Memorial de Alpendorada, em Marco de Canaveses, também guarda algumas curiosidades. Joaquim Costa destaca a espada gravada na base. "A espada gravada nas pedras superiores do plinto, que serve de base ao seu arco, remete-nos para a memória ou a morte de um soldado ou de um grande nome. Aqui levanta-se novamente a questão de D. Sousinho Álvares, ou seja, se o Memorial da Ermida terá sido construído no século XIII para lembrar o cortejo fúnebre de Mafalda Sanches, este Memorial de Alpendorada terá sido construído no século XII e vai ao encontro de D. Sousinho Álvares, porque foi alcaide no século XII".

Já o Marmoiral de Sobrado, em Castelo de Paiva, apresenta uma tipologia diferente dos Memoriais da Ermida e de Alpendorada, uma vez que não apresenta arco. Joaquim Costa recorda a lenda de Santo António associada a este monumento. "Reza a lenda que vivia ali perto Martim, um descendente dos Bulhões. Este, apaixonou-se por Maria Teresa Taveira, mas o pai exigiu que Martim fosse à guerra antes de casar com a filha. O rapaz aceitou o desafio, mas acabou por ser capturado pelos Mouros. Entretanto, o pai de Maria faleceu e esta, uma vez que ficou só, começou a ser perseguida e pressionada para casar com o muito rico D. Fafes.

Entretanto, o capelão daquela zona sabendo do que tinha acontecido negociou com os Mouros a libertação de D. Martim. Este, na esperança de recuperar a amada, travou um duelo com D. Fafes, do qual saiu vencedor, acabando por casar com Maria Taveira. Diz a lenda que D. Martim mandou construir um Marmoiral, onde estão gravadas as espadas em memória deste momento. Trata-se do Marmoiral de Sobrado. Aqui surge a grande curiosidade: Martim de Bulhões casou com D. Maria e tiveram um filho: Fernando de Bulhões, conhecido como Santo António de Lisboa", explica Joaquim Costa.

Memoriais e Marmoiral que podem ser visitados a qualquer momento. Fica uma sugestão: a Rota do Românico organiza programas turísticos que podem ser de um, dois ou três dias. Também é possível criar um programa personalizado. Encontra todas as informações na página da internet da Rota do Românico.

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