Hospital em casa, dicas de viagem instantâneas. O 5G é "um mar de oportunidades"

Depois de 2G e 3G já terem passado à história, o 4G tem os dias contados. Quando o mundo se prepara para entrar numa nova era de internet móvel, a TSF foi à procura do novo valor de um click, de uma fotografia ou de um pequeno sensor.

PorAna Sofia Freitas com Gonçalo Teles
© Photo by Gian Cescon on Unsplash

"É um mar de oportunidades, a noção de que a Internet é muito mais do que andar a surfar." Em poucas palavras, e no Dia Mundial da Internet, Rui Aguiar, professor da Universidade de Aveiro e investigador do Instituto de Telecomunicações levantou o véu, na TSF, sobre o futuro que nos espera com a chegada do 5G.

Está tudo no nome: é a quinta geração de tecnologia para redes móveis e de banda larga e, até 2025, espera-se uma revolução. Além de trazer maior velocidade, mais conhecimento, e ainda mais mundo às palmas das nossas mãos, vai também mudar a forma como nos relacionamos com o que nos rodeia e com quem queremos manter uma ligação, mas também com quem cuida de nós.

Tudo começa nos nossos telemóveis: depois do 2G, do 3G e do 4G, o 5G vai chegar às vidas de todos nós, em dois anos, como o padrão das telecomunicações. "As pessoas nem sequer vão pensar nisso", nota Rui Aguiar: o que interessa é saber "o que podem fazer com o telemóvel". A Internet vai tornar-se "cada vez mais poderosa, mais presente e mais móvel".

A navegação vai acontecer a um nível de qualidade "semelhante" ao que se encontra, neste momento, nos serviços que chegam às casas portuguesas, ou seja, com "maior rapidez e disponibilidade". Mas abre-se também a porta, ao longo desta década, da "internet das coisas e dos serviços críticos" como saúde ou segurança.

Ouça aqui a entrevista com o professor e investigador Rui Aguiar, conduzida pela jornalista Ana Sofia Freitas.

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Tomemos como exemplo um doente que precise de ser monitorizado. Neste momento, esse acompanhamento acontece num hospital porque "o perigo de o fazer em casa é que não há confiança suficiente nas comunicações". Rui Aguiar sugere que o problema terá resolução com o 5G.

O paciente terá "uma aplicação no telemóvel, colocada pelo hospital, que também lhe dará um pequeno sensor". E, a partir daqui, a vida é mais simples. O hospital só terá de pedir ao doente que "ande com o sensor e com o telemóvel, não os afaste um do outro, faça a sua vida e esteja pronto para receber chamadas".

E da vida pessoal à vida coletiva é apenas um pequeno passo. Outra das possibilidades que passam a estar em cima da mesa com a tecnologia 5G é a de uma monitorização de incêndios mais imediata e segura, uma realidade "crítica" em Portugal.

Com a nova tecnologia é possível colocar "sensores de baixo custo e a funcionar por 5G" nas florestas portuguesas enquanto monitorizam a existência de fogos. Embora já seja possível fazê-lo atualmente, Portugal não tem "cobertura nem sensores" que permitam explorar a rede e a infraestrutura existentes de forma adequada. No futuro, "isso será possível".

No lazer também há novidades. Uma delas prende-se com a possibilidade de, durante uma viagem, saber em tempo real onde estamos, a história do local, o que nos rodeia e como tirar melhor partido de tudo isso "sem sequer nos preocuparmos com a internet".

Rui Aguiar dá como exemplo uma "fotografia de uma catedral". Se for a de Dubrovnik, saberemos na hora que "houve ali uma guerra civil muito grande" e que os muros onde ficaram marcados alguns dos tiros disparados em execuções estão poucas ruas ao lado. Ao mesmo tempo, descobre-se "um restaurante com comida muito boa" e com, por exemplo, especialização em condimentos escolhidos de acordo com o gosto de cada utilizador.

<strong>Com grande velocidade, grande responsabilidade</strong>

A noção da realidade passa a ser "completamente diferente" mas, elencadas as vantagens e como em tudo, a outra face da moeda também traz preocupações. "Há perigos que são claros", reconhece o investigador.

Voltemos a Dubrovnik. Se o mundo passa a ser visto "a partir deste tipo de serviços" e alguém escrever que "quem foi morto em pelotões de execução não eram libertadores, mas sim perigosos traidores que matavam pessoas e criancinhas", a forma de ver aquele conflito "vai ser mudada". Assim, não só aumenta o risco de se ser manipulado, como "com muita facilidade" pode ser-se enganado por fake news, que "podem chegar de formas de que nem me apercebo".

Feito o aviso, Rui Aguiar apela aos órgãos de regulamentares e legislativos que comecem a pensar "no que querem que aconteça", de forma a amplificar os benefícios da tecnologia 5G para uma "sociedade em que nos sintamos mais humanos e menos alienados".

O investigador alerta para a necessidade de garantir que "não somos instrumentalizados pela tecnologia e por meia dúzia de empresas ou pessoas que a conhecem e usam para levar a nossa vida e sociedade para direções de que não gostamos".

Neste Dia Mundial da Internet, fica o apelo: "Todos nós devemos ter um conjunto de preocupações com a utilização da mesma", em especial quando está no bolso de todos nós.

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