Análise ao Nokia 4.2: o melhor smartphone por menos de 200 euros

A fabricante diz que o Nokia 4.2 tem tudo. Tudo e mais alguma coisa. Será mesmo assim?

Apesar de ter um aspeto bastante razoável, talvez seja melhor começar a olhar para o Nokia 4.2 pelo preço: 179 euros. Depois os olhos devem ler as seguintes palavras "Android One". É melhor começar por esses dois dados porque, a realidade é que as características deste equipamento lançado em maio de 2019 não são as mais avançadas (CPU Snapdragon 439, 3GB de RAM, 32GB para armazenamento, bateria de 3000mAh , ...).

E no entanto não deixa de ter um desempenho muito convincente. Já lá vamos.

Por 200 euros o que temos é um telefone de gama de entrada
Não vale a pena sonhar alto. Não vale a pena esperar o impossível. Em 2019, um smartphone com este preço serve para fazer aquilo que consideramos básico hoje em dia: telefonar, navegar na net, ver qualquer coisa no YouTube, ir ao Instagram, pôr uns likes no Facebook, tirar umas fotos, jogar um joguinho daqueles simples enquanto se espera pelo metro, dizer olá a alguém no WhatsApp e no final do dia pô-lo a carregar outra vez. É isto.

O Nokia 4.2 não tem um ecrã brutal, não tem uma câmara incrível e não é rápido com um trovão.

Mas o que é mais provável, é que quem está à procura de um telemóvel por este preço nem sequer se importe com essas coisas. Por exemplo, não se importará que tenha um ecrã LCD ou que a resolução seja HD+, em vez de Full HD. Também não dará grande importância ao facto da memória RAM se ficar pelos 3GB, ou que o espaço de armazenamento não ultrapasse os 32GB. Acha que precisa de mais espaço para fotos e vídeos? Ponha um cartão microSD, que o Nokia 4.2 tem um slot para isso.

Muito provavelmente quem procura um telemóvel assim, o que quer é que ele não lhe dê grandes dores de cabeça nos próximos dois ou três anos.

E é aqui que entra o Android One. Voltaremos a este tema mais à frente.

Aspeto e qualidade de construção estão uns furos acima dos 200 euros

Sim, a traseira é de plástico e talvez demasiado propensa às dedadas, mas tirando isso, o Nokia 4.2 não faz má figura. O vidro do painel frontal é ligeiramente (muito ligeiramente) curvo nas bordas e isso permite fazer uma ligação perfeita com a moldura lateral do equipamento que também é curva.

Bem interessante é a funcionalidade acrescida à volta do botão para ligar/desligar. Este botão tem à sua volta um LED que se acende ou pisca para dar conta de notificações importantes como chamadas não atendidas ou SMS recebidos. Assim, nem é preciso olhar para o ecrã para saber que temos de fazer algo.

E que tal são as câmaras?

Não espere fotos incríveis. A principal é de 13MP e é auxiliada por uma outra de 2MP que faz as vezes de sensor de profundidade. De dia safam-se bem, mas em situações de pouca luz, nem por isso.

A das selfies é de 8MP.

Outros coisas menos boas

O ecrã LCD não é brilhante. Literalmente. Falta-lhe brilho. É certo que em resultado isso, a autonomia do equipamento sai a ganhar, mas poderá haver uma outra altura em que pode ser difícil ver o que está na tela do Nokia 4.2.

Carregar o telemóvel a partir de uma entrada microUSB? Já não estamos em 2019? Custava assim tanto ter uma entrada USB-C?

E outras características positivas...

É dual SIM. Pode ter dois cartões de duas operadoras móveis. E um outro slot para cartões de memória extra, caso precise de mais espaço para fotos, vídeos e apps.

O leitor de impressões digitais também funciona muito bem. É sempre rápido e reconhece sempre o utilizador.

Tem também um botão dedicado ao Google Assistant. Ainda não dá para conversar com a Inteligência Artificial criada pela empresa pioneira da internet, nem falar com ela em português de Portugal, mas que o botão dá jeito, isso é inegável.

E o que tal são as propostas rivais?

Olhando para as características (e para o preço) deste equipamento, há um smartphone que se coloca como competidor direto do Nokia 4.2. É o Xiaomi Redmi Note 7 e até tem características superiores:

- Ecrã: Full HD (Redmi Note 7) vs. HD+ (Nokia 4.2)
- CPU: Snapdragon 660 (Redmi Note 7) vs. Snapdragon 439 (Nokia 4.2)
- Bateria: 4000mAh (Redmi Note 7) vs. 3000mAh (Nokia 4.2)
- Câmara: 48MP (Redmi Note 7) vs. 12MP (Nokia 4.2)

O Nokia 4.2 vem com o Android 9, mas é um Android One

Primeiro: o sistema operativo que está instalado de origem é o Android 9. É o mais recente (junho de 2019).

Segundo: tem o selo "Android One". O que isto quer dizer é que vem com um sistema operativo num estado puro, sem dezenas de extras criados pelas fabricantes e que são colocados em cima do Android quase apagando o que a Google criou. Para que se tenha uma ideia: essa app que usa para enviar SMS no seu telemóvel não é a criada pela Google. Os contactos também não. O mesmo acontece com as imagens de fundo, com os ícones das apps e com uma série de milhentas outras coisas.

Assim, em teoria (e na prática) os telemóveis que têm o selo Android One, como não têm os tais extras, são muito leves. Mais expeditos. Mais rápidos. Mais fluidos.

Dito de outra forma: O Android One é o Android sem gorduras. Só tem carne, a que interessa.

Precisa de mais razões para adorar o Android One? Aqui vão elas...

Para além de tudo o que está descrito acima, o Android One é sinónimo de mais segurança e também de mais longevidade do equipamento.

Os donos dos smartphones que integram este programa têm a garantia de que durante os dois anos após o lançamento do equipamento, a fabricante obriga-se a lançar atualizações do sistema operativo para esses telefones. Ou seja, se no próximo ano a Google lançar o Android 9.2 ou o Android 10, ou lá o que for, o Nokia 4.2 vai ter direito a essa atualização.

E se forem atualizações de segurança, essa garantia estica-se por mais um ano: 3 anos de atualizações. Isto é excecional.

Dois ângulos para resolver um dilema

Visto por um prisma, o Nokia 4.2 não é o melhor smartphone à venda por menos de 200 euros, mas visto por outro... é.

O primeiro desses prismas é o das especificações técnicas. Neste campo há um vencedor claro. Olhado por esse ângulo, este smartphone fica a perder para um equipamento como o Xiaomi Redmi Note 7. Qualquer utilizador, mesmo que não ligue a detalhes como a resolução do ecrã, é difícil que passe ao lado de coisas como a qualidade do sensor da câmara. São 48MP no Xiaomi contra os 13MP do Nokia. É uma abada.

Só que depois há uma outra forma de olhar para este dilema. É o prisma do software. E como o iPhone nos tem vindo a mostrar ano após ano, as características técnicas não são tudo.

No Nokia 4.2 o software é muito bom. É tão leve que na utilização diária tem um desempenho semelhante a equipamentos que custam umas centenas de euros mais. Esse é um dos pontos fundamentais do Android One. A pureza do sistema operativo.

O outro é a longevidade. Os três anos de atualizações de segurança e os dois anos de atualizações de sistema operativo. E a rapidez com que a Google e a Nokia prometem que esses updates chegarão aos equipamentos.

Conclusão... Quer gastar 200 euros em quê?

Num telemóvel que tem uma câmara de 48MP? Talvez seja melhor espreitar o Xiaomi Redmi Note 7 .

Ou prefere ter mais segurança e um equipamento que se mantém atualizado durante mais tempo? Se é isso, talvez o dinheiro seja melhor gasto no Nokia 4.2 .

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