Análise: o LG G8s é um smartphone mágico ou ilusionista?

Ninguém pode acusar a LG de lançar telemóveis sem graça nenhuma. Ou que arriscam zero. Quem o fizesse estaria a mentir. E basta olhar para o novo G8s que acaba de chegar ao mercado. Ou haverá por aí muitos outros telemóveis que podem ser controlados por gestos, mas sem tocar no ecrã?

Mas antes de falarmos sobre a atração principal, vamos a outras questões. Ou então veja o vídeo, que é mais rápido.

Olhando para especificações, o LG G8s é bestial. Tem um ecrã OLED, o processador mais rápido do mercado, uma quantidade generosa de espaço de armazenamento, e um slot microSD para quem precisar de ainda mais. Há ainda uma boa câmara para as selfies, principalmente se tivermos em conta o sensor ToF que a acompanha e abre a porta a funcionalidades nunca vistas.

O problema é que todas essas características boas esbarram em mau design. Coisas simples, como o facto do botão para ligar/desligar o ecrã estar incrivelmente mal colocado e obrigar a fazer ginástica sempre que se quer desligar o ecrã. Ou então em software fraquinho, como é o caso daquele com que a LG cobre o Android 9, com mas escolhas feitas de origem, como é o caso da gaveta de apps não estar ativa logo na configuração predefinida.

Mas de resto, há pouco a apontar. O CPU, ou SoC, se preferirem é um Snapdragon 855, o mais rápido que se encontra no mercado e o desempenho do G8s reflete isso mesmo. Talvez seja um pouco mais lento que outros topo de gama, mas diferença não é grande.

O ecrã é que podia ser um pouco mais luminoso. Debaixo de sol intenso não é tão fácil de ler quanto é, por exemplo, o do Huawei P30 Pro. A tela também não tem um sensor de impressões digitais, mas essa não me parece ser uma falha importante. A LG optou por manter o leitor de dados biométricos na parte de trás do telemóvel, onde não incomoda ninguém e esse funciona às mil maravilhas.

De resto, e no que diz respeito ao aspeto, o G8s não é absolutamente premium, mas anda lá perto. Os acabamentos são cuidados e a qualidade de construção parece boa. O vidro não é muito arredondado nos lados e destaca-se sobre a moldura metálica. Mas é a vida.

A parte de trás, que é quase um espelho está muito bem conseguida. Tanto, que quase que nem seria necessária uma câmara dedicada às selfies. A colocação do botão do power numa parte tão alta da lateral do telemóvel é que não faz sentido nenhum. Nenhum!

É preciso ter mãozinhas

Uma das grandes novidades trazidas por este equipamento é que pode ser controlado por gestos, sem tocar na tela. A LG chamou ao recurso "Gesto no ar".

Isso acontece com recurso a uma lente especial colocada ao lado da das selfies. Chama-se Time of Flight e o que ela faz é genericamente medir distâncias.

Por enquanto, o que o software da LG permite fazer é pôr o som da música, do Spotify, por exemplo, ou do Youtube, mais alto ou mais baixo. Também para tirar uma foto ao ecrã, ou abrir uma app pré-selecionada. Funciona ainda para atender ou desligar um telefonema.

O problema é que para além de ser praticamente inútil. É muito mais rápido chegar ao ecrã e dar-lhe um ou dois toques. Mais problema ainda maior é que é dificílimo controlar o telemóvel assim. Comigo quase nunca funcionou. É desesperante. E, repito, não serve para nada. Talvez o de pôr mais alto ou mais baixo tenha algum interesse, de resto zero.

No futuro, esta ideia até pode vir a ser interessante. Mas tem de ser muito mais fiável e mais rápida. E mais útil.

E nas fotografias também faz truques?

No que diz respeito às lentes ela até está bem servida. Há a principal de 12MP, uma grande-angular de 13MP e ainda uma telefoto, capaz de fazer zooms óticos, de 12MP.

Pena é que tudo isto somado não chegue. A lente principal tem uma abertura máxima de f/1.8 o que em teoria lhe permitiria tirar boas imagens em condições de pouca luminosidade. Mas uma coisa é a teoria, outra é a prática. As fotografias de dia, até são boas, mas depois cai a noite e com ela a qualidade das imagens obtidas pelo G8s. Aqui talvez a melhor notícia talvez esteja reservada para a gravação de vídeos. O LG G8s permite a utilização da estabilização ótica de Imagem quando grava em 4k desde que seja a 30fps.

Já com as selfies (que tem um sensor de 8MP) o que se destaca é a presença do sensor ToF que permite que o efeito de desfocar o fundo face ao protagonista da foto seja feito com muito mais intensidade criando um efeito mais impactante nas fotografias.

Contras
- Botão para desligar muito mal colocado
- Ecrã OLED pode ser difícil de ler (mesmo no max) ao sol
- Os "gestos no ar" são inúteis, mas mais importante: é bastante difícil de controlar

Prós
- Ecrã em modo espera colorido
- Animações não servem para nada, mas estão bem feitas
- Leitor de impressões digitais é rápido - bem colocado - e não perde por não estar no ecrã
- Ligação bluetooth aos headphones é constante. Nunca quebra.
- Saída 3.5mm para auscultadores


Conclusão
Ainda não é desta que a LG lançou um equipamento extraordinário. A construtora coreana tem tentado de várias formas pôr no mercado equipamentos inovadores e com o LG G8s também o tenta. Pena é que venha tentar resolver um problema que não existe. A ideia de não ter de tocar no ecrã para controlar o telemóvel até é boa, mas a implementação está longe de o ser.

De resto, eu até gostaria de dizer que o ecrã OLED ou a câmara fotográfica são argumentos suficientes para fazer esquecer as falhas, mas não são. Também nesses departamentos o G8s deixa a desejar.

É certo que em termos de desempenho e autonomia o telemóvel não se porta nada mal, mas tudo somado, ou a LG avança já para as promoções, ou então é fácil encontrar equipamentos semelhantes, ou melhores, por preços mais convidativos.

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