"Avaliação de algumas espécies." Conferência Mundial da Vida Selvagem arrancou no Uzbequistão

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A proteção de iguanas das ilhas Galápagos e o combate ao comércio internacional de chitas ou tartarugas são alguns dos mais de cem temas discutidos
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Há cada vez mais espécies em vias de extinção e, por isso, a proteção de animais e plantas está no centro das preocupações da Conferência Mundial da Vida Selvagem. O evento começou na manhã desta segunda-feira em Samarcanda, no Uzbequistão, e pretende discutir a Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies Selvagens Ameaçadas de Extinção, assinada em 1973.
A organização World Wide Fund for Nature (WWF) está presente na conferência e a diretora de conservação e política da sucursal portuguesa, Catarina Grilo, conta, em declarações à TSF, que os temas debatidos passam pela "avaliação de algumas espécies". Isto é, integrá-las numa de duas listas: a primeira sobre "espécies ameaçadas de extinção em que é preciso regular o comércio internacional", e a segunda que inclui "espécies que ainda não estão ameaçadas".
A inclusão do ocapi (mamífero natural da República Democrática do Congo) na lista de espécies ameaçadas, a proteção de iguanas, bem como o combate ao comércio internacional de chitas, tartarugas, elefantes ou rinocerontes, são algumas das situações mais preocupantes para discutir nesta Conferência Mundial da Vida Selvagem. Catarina Grilo destaca ainda a proteção de "espécies pertencentes ao grupo dos tubarões e raias", animais muito avistados nos Açores. Explica que, "de facto, a sua sobrevivência já está a ser posta em causa" e que a comercialização internacional "deve ser praticamente proibida e apenas permitida em circunstâncias excecionais".
Catarina Grilo defende que "é urgente reduzir as causas do declínio" das espécies ameaçadas, nomeadamente através da "limitação da caça, da destruição e da fragmentação de habitats". Para isso, considera, é preciso "trabalhar com os caçadores, agricultores e pescadores" de forma a "reduzirem os seus impactos nestas espécies através de medidas adaptadas aos ciclos de vida".
Para a diretora de conservação e política da WWF Portugal, este é um debate importante não só para "reforçar a convenção em si", como também "garantir que a legislação de cada país seja efetiva para controlar o comércio internacional" e a proteção de animais e plantas em vias de extinção.
Esta é a 20.ª edição da Conferência Mundial da Vida Selvagem e vai prolongar-se até ao início do mês de dezembro.