Atirar uma sonda contra um asteroide para salvar a Terra é viável? NASA vai averiguar

O asteroide Dimorphos, com cerca de 160 metros, é o alvo da missão DART da NASA. O objetivo é perceber se alterar a órbita de um destes corpos celestes é uma tática de defesa viável.

O cenário proposto é o seguinte: e se, um dia, algo entrar em rota de colisão com a Terra? Que opções temos para nos defendermos? A NASA quer saber se enviar algo - neste caso uma sonda - contra o foco de perigo é uma opção viável.

O sacrifício dos terráqueos tem um nome: DART, a sigla de Double Asteroid Redirection Test, que pode traduzir-se como Teste de Redirecionamento de Asteroide Duplo. Sim, duplo.

O alvo da missão é um sistema binário, completamente inofensivo para a Terra, de asteroides composto por Didymos - com cerca de 780 metros de diâmetro - e Dimorphos, que tem aproximadamente 160 metros. Este último orbita o primeiro e vai ser "alvejado" pela sonda.

Para lá chegar, o DART vai apanhar boleia do foguetão Falcon 9, da SpaceX, num lançamento programado para as 6h20 da manhã desta quarta-feira. Mas não vai sozinho: a bordo leva o Didymos Reconnaissance and Asteroid Camera for Optical navigation (DRACO), uma câmera de alta resolução que vai medir o tamanho e forma de Dimorphos, ajudando a guiar o DART contra o asteroide.

Os objetivos da missão são, segundo a NASA, quatro: demonstrar impacto no Dimorphos, alterar o seu período orbital, usar telescópios para avaliar, a partir da Terra, as alterações de órbita antes e depois do impacto e avaliar os seus efeitos e as partículas ejetadas.

Para saber se os objetivos foram atingidos, a equipa de investigação DART vai comparar os resultados do impacto no asteroide com simulações altamente detalhadas do impacto em asteroides feitas por computador. São os resultados destas comparações que vão permitir avaliar se esta é uma estratégia viável de mitigação de risco, ao mesmo tempo que ajudam a perceber o quão exatas eram as simulações e o quão bem espelham o comportamento de um asteroide real.

Em nome da ciência

Preparada a missão, a NASA não quer alarmismos: "Muito poucos dos biliões de asteroides e cometas que orbitam o nosso Sol são potencialmente perigosos para a Terra, e, pelo menos durante o próximo século, nenhum asteroide conhecido ameaça o nosso planeta", lê-se na documentação partilhada pela agência norte-americana.

Ainda assim, o contributo para a melhoria das simulações é especialmente importante para a NASA porque, apesar de os cientistas poderem "criar mini-impactos num laboratório e construir modelos informáticos sofisticados com base nesses resultados", os asteroides são "corpos complicados com uma gama de propriedades físicas, estruturas internas, formas e características geológicas" que os tornam um tanto ou quanto difíceis de decifrar.

Este teste em contexto real - e num "asteroide com propriedades físicas maioritariamente desconhecidas" - torna-se assim num "passo necessário para avaliar os modelos actuais e fazê-los avançar", com o objetivo de resolver futuros problemas com "asteroides potencialmente perigosos".

A missão pode ser acompanhada em tempo real no site da NASA - em nasa.gov/nasalive - a partir das 5h30, hora de Lisboa.

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