Bolsa para o primeiro biobanco português de doentes com fibrose pulmonar

Investigação sobre a fibrose pulmonar é distinguida com uma bolsa de incentivo à investigação para jovens médicos, no valor de 50 mil euros.

Hélder Novais e Bastos é pneumologista, professor e investigador na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. A bolsa que irá receber esta quarta-feira é atribuída pela Fundação Amélia de Mello, em parceria com a CUF, e permitirá criar o primeiro registo português de doentes com fibrose pulmonar.

Uma doença subdiagnosticada, irreversível e que está na origem de um terço do total de transplantes do pulmão em Portugal e no mundo. Hélder Novais e Bastos quer criar um biobanco, um registo de doentes com fibrose pulmonar, que permita agir antecipadamente.

"Durante o seguimento do doente, vamos perceber se está a agravar [a doença] e vamos olhar para os produtos biológicos que colhemos e perceber que associações conseguimos encontrar, ou seja, no futuro, se identificarmos uma molécula que está alterada e que se associa ao agravamento da doença, podemos com uma análise sanguínea fazer essa pesquisa e antecipar esse agravamento antes que o doente fique mesmo mal", explica.

A fibrose pulmonar é ainda uma doença desconhecida, na qual o doente acaba por ficar com insuficiência respiratória e dependente de oxigénio suplementar. "O objetivo último é melhorar a qualidade de vida dos dentes, mas, até lá, temos de conhecer melhor a doença, descobrir quais são os seus mecanismos, descobrir alvos terapêuticos que podem dar novos tratamentos. Mas, antes disso, temos de ter marcadores que permitam perceber se aquele doente vai ter uma evolução mais grave."

Hélder Novais e Bastos sublinha que muitos doentes com Covid-19 ficam a sofrer de fibrose pulmonar progressiva. O investigador acredita que a bolsa atribuída pela Fundação Amélia de Mello, em parceria com a CUF, vai beneficiar várias patologias. "Este ano que passou, percebemos o quão importante é a ciência na nossa vida, para antecipar problemas, dar uma solução e estar à frente do tempo", refere.

Com 36 anos, Hélder Novais e Bastos especializou-se em pneumologia, é professor e investigador da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S), e médico pneumologista no Centro Hospitalar Universitário de São João. O projeto premiado envolve o Centro Hospitalar Universitário de São João, a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e o i3S.

Este prémio visa desenvolver o projeto de investigação "FIBRA-Lung:Interações hospedeiro-microbioma na busca por biomarcadores de doenças pulmonares intersticiais fibrosantes que regem a aceleração", que tem como objetivo melhorar o prognóstico e a qualidade de vida das pessoas que sofrem de fibrose pulmonar.

A fibrose pulmonar é o resultado de um conjunto de doenças pulmonares difusas, que se caracteriza pela inflamação e cicatrização anómala do tecido pulmonar, geralmente progressiva, estando associada a elevadas taxas de morbilidade e mortalidade, com um prognóstico comparável ao cancro.

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