Cientista português planeia enviar micróbios para o espaço a partir de estações espaciais

O projeto de envio de micróbios já foi submetido e pode acontecer em 2021.

Um cientista português que lidera uma unidade de astrobiologia em Macau disse esta terça-feira à Lusa que está envolvido no lançamento de micróbios para o espaço a partir das estações espaciais chinesa, indiana, internacional e dos Emirados Árabes Unidos.

O projeto com a estação espacial internacional já está acertado, devendo realizar-se em 2023. O projeto de envio de micróbios a partir da estação espacial chinesa foi agora submetido e, uma vez aprovado, pode acontecer já em 2021.

"Estamos atualmente em vias de colaborar num projeto que consiste no envio de micróbios para o espaço, por isso vamos enviar alguns dos nossos micróbios para a estação espacial internacional e tencionamos fazer uso do programa de lançamento de satélites da agência espacial chinesa, da agência espacial indiana e dos Emirados Árabes unidos", adiantou o professor associado da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST).

"Parte do trabalho que fazemos quando estudamos ambientes análogos (...) tem a ver com o isolamento de novos micróbios, novas espécies de micróbios, o estudo das suas capacidades, das suas adaptações, e inclusivamente exposição a condições equivalentes àquelas que existem no espaço, que existem em Marte, para ver se os micróbios têm a capacidade para se adaptar e sobreviver nesse tipo de ambientes", acrescentou o cientista natural de Coimbra.

A hipótese chinesa é aquela que pode acontecer mais cedo, segundo o responsável pela unidade de astrobiologia do Laboratório de Referência do Estado para a Ciência Lunar e Planetária da MUST: "Do ponto de vista de envio de micróbios para o espaço com satélites da agência espacial chinesa, submetemos agora o projeto e, se for aprovado (...) , [deverá realizar-se] em junho do ano que vem".

Com a estação espacial internacional, a colaboração "está aprovada", mas "o envio (...) é um bocadinho mais complicado, [e] atualmente está programado para 2023", afirmou.

Finalmente, quanto ao lançamento a partir das estações espaciais indianas e dos Emirados Árabes Unidos, o processo encontra-se numa fase embrionária: "Estamos em contacto com colaboradores dessas agências e é uma coisa que estamos atualmente a programar".

A MUST e o cientista português que chegou a Macau em setembro estão envolvidos na missão chinesa que vai explorar Marte, após Pequim lançar na quinta-feira uma sonda para pousar no planeta vermelho.

Neste momento, o laboratório para a Ciência Popular e Planetária na universidade tem em mãos 11 projetos de investigação em Marte, concluídos ou em desenvolvimento, e vai continuar envolvido nos trabalhos de exploração relacionados com a exploração do planeta, espaço e vida extraterrestre.

O laboratório vai continuar envolvido nos trabalhos sobre a estrutura interna de Marte, as reservas de água congelada, ambiente à superfície e espacial, bem como investigação sobre vida extraterrestre.

A MUST conta desde o final de 2019 com um Centro de Ciência e Exploração Espacial da Administração Espacial Nacional, no âmbito de um acordo de cooperação de desenvolvimento científico e tecnológico assinado em dezembro de 2019 entre aquela entidade chinesa e o Governo de Macau.

Um ano antes, o Ministério da Ciência e Tecnologia já tinha aprovado o estabelecimento do Laboratório Estatal de Ciências Lunares e Planetárias.

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