Cientistas chineses perseguem recorde da Google em computação quântica

O processador Sycamore, da Google, demora 3 minutos e 20 segundos a completar uma tarefa complexa que teria levado 10.000 anos ao mais avançado supercomputador clássico, o IBM Summit.

Uma equipa da Academia de Ciências da China afirma ter encontrado uma forma "bastante mais eficiente e precisa" de computação quântica do que a desenvolvida pela Google, que reclama liderança na tecnologia.

Através da manipulação de partículas subatómicas, a computação quântica visa expandir de forma exponencial a capacidade de processamento de computadores, permitindo a realização de cálculos que hoje não estão ao alcance sequer dos mais avançados supercomputadores, sendo por isso uma das tecnologias hoje mais disputadas por China e Estados Unidos.

No final de 2019, a Google anunciou ter-se tornado pioneira no alcance da "supremacia quântica", realizando através do seu processador Sycamore, em 3 minutos e 20 segundos, uma tarefa de grande complexidade que teria levado 10.000 anos ao mais avançado supercomputador clássico, o IBM Summit.

A conclusão, e em particular a estimativa do tempo que outras máquinas levariam a completar a mesma tarefa, foi disputada por equipas de cientistas e o Instituto de Física Teórica da Academia de Ciências da China, num novo estudo agora publicado, repetiu a experiência da Google usando 60 processadores de vídeo - Nvidia V100 e A100 - normalmente usados para tarefas de inteligência artificial.

Segundo as conclusões do estudo, citadas pelo diário de Hong Kong South China Morning Post, a tarefa foi concluída em "cerca de 5 dias", usando um algoritmo e um método de rede que permite "separar" a tarefa em instruções mais pequenas, que os processadores clássicos podem calcular mais facilmente.

Segundo os investigadores, esta abordagem permitiu "muito maior precisão" nos dados do que a da Sycamore, apesar de este ser "muito mais rápido" no desempenho da tarefa.

Em maio de 2020, cientistas do Alibaba Quantum Laboratory propuseram a utilização de uma rede semelhante à agora testada pelo Instituto de Física Teórica chinês, mas de um algoritmo diferente, estimando que conseguiriam alcançar uma precisão semelhante à do Sycamore, mas não chegaram a realizar a simulação.

Zeng Bei, perita de computação quântica na Hong Kong University of Science and Technology, defende que mais importante do que haver um "vencedor", neste "jogo" o importante é "o puro gozo científico", que leva ao aperfeiçoamento de algoritmos.

Mas, para a China, a tecnologia quântica tornou-se uma elevada prioridade - uma de seis outras áreas científicas e tecnológicas incluídas no novo Plano de Desenvolvimento Quinquenal do país - sendo considerada de aplicação na computação, redes de comunicações ultra seguras e medidas de precisão.

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