Comissária desconhece indícios de fraude nas eleições dos EUA

Sem referir nomes ou partidos, a presidente da Comissão Eleitoral Federal dos Estados Unidos disse que os candidatos devem aceitar os resultados, confiantes na fiabilidade do sistema eleitoral.

A comissária eleitoral dos EUA, Ellen Weintraub, disse esta sexta-feira não conhecer qualquer indício de fraude nas presidenciais de 3 de novembro, contrariando as alegações do Presidente Donald Trump, e aconselhou os candidatos a aceitarem os resultados.

"Não há indícios de fraude nas eleições nos Estados Unidos. Elas têm sido investigadas por académicos, pelo Departamento de Justiça, até por comissões nomeadas por presidentes. E não se detetou qualquer sinal de fraude ou de graves irregularidades", disse Weintraub, numa sessão de perguntas e respostas da Web Summit.

Sem referir nomes ou partidos, a presidente da Comissão Eleitoral Federal dos Estados Unidos disse que os candidatos devem aceitar os resultados, confiantes na fiabilidade do sistema eleitoral.

"Se perderam, devem reconhecer a derrota e... avançar com a vida", disse Weintraub, quando interrogada sobre o comportamento do Partido Republicano, cujo candidato presidencial, Donald Trump, ainda não aceitou a derrota face ao democrata Joe Biden.

Ellen Weintraub deixou claro que a comissão que lidera não valida resultados eleitorais, apenas se ocupando da gestão financeira das campanhas políticas, revelando que, nas presidenciais deste ano foram angariados cerca de 14 mil milhões de dólares em donativos (cerca de 11,5 mil milhões de euros).

"Este valor é mais do dobro daquele que foi angariado pelos candidatos em 2016", acrescentou a comissária, lembrando os pouco mais de seis mil milhões de dólares (cerca de cinco mil milhões de euros) da campanha de 2016.

Weintraub disse que grande parte desse dinheiro partiu de pequenos doadores, o que mostra um grande envolvimento da população no ato eleitoral, que foi um dos mais concorridos da história política dos Estados Unidos.

A comissária eleitoral não acredita que o sistema político aceite vir a limitar o volume de dinheiro angariado para as campanhas, apesar dos avultados gastos que se têm verificado nos últimos anos, e disse que não há uma correlação direta entre o dinheiro gasto por um candidato e o resultado que ele obtém nas urnas.

"Nestas eleições, ao nível de lugares no Senado e na Câmara de Representantes, nem sempre os candidatos que mais gastaram foram os que melhores resultados tiveram", concluiu a comissária.

Weintraub também não acredita que haja vontade política para mudar o sistema eleitoral, assente num colégio eleitoral que cria a possibilidade de um Presidente poder ser eleito sem ter a maioria dos votos (como aconteceu em 2016).

A comissária também não antevê que venha a ser possível introduzir o voto obrigatório nos EUA, para combater os tradicionalmente elevados níveis de abstenção.

"Não consigo imaginar o voto obrigatório. Se as pessoas nem aceitam que as obriguem a usar máscara durante uma pandemia, muito menos vão aceitar que as obriguem a ir votar", disse Weintraub, que está sobretudo preocupada com o facto de o Congresso ter criado leis que dificultam a votação.

"Não estou tão preocupada com leis para evitar fraudes como estou preocupada com as leis que deixam muitas pessoas com poucas condições para irem votar", concluiu, referindo-se a mecanismos legais que têm sido introduzidos que obrigam a exigências mais apertadas para exercer o direito de voto, como a regularização da situação de imigrantes.

A Web Summit, que termina esta sexta-feira e é considerada uma das maiores cimeiras tecnológicas do mundo, realizou-se este ano totalmente 'online' com "um público estimado de 100 mil" pessoas, com mais de 2.500 jornalistas inscritos.

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