Construção do porto espacial dos Açores ainda sem data para arrancar

Novo presidente da Portugal Space assumiu funções há cerca de seis meses e revela que, na melhor das hipóteses, só em 2022 é que a base dos Açores pode começar a funcionar.

Ainda não vai ser no próximo verão que a ilha de Santa Maria, nos Açores, vai servir de palco aos primeiros lançamentos da Agência Espacial Portuguesa, a Portugal Space. Celebra agora dois anos de existência, foi criada para concretizar a estratégia nacional para o espaço e já vai no segundo presidente.

Ricardo Conde assumiu funções há cerca de seis meses e revela que, na melhor das hipóteses, só em 2022 é que a base dos Açores pode começar a funcionar. O plano inicial previa que os primeiros satélites fossem lançados no verão de 2021, mas Ricardo Conde lembra que, antes de mais, é preciso construir a base a partir da qual vão ser feitos os lançamentos.

"Um aeroporto recebe vários tipos de aviões. Aqui, o conceito é o mesmo. É preciso, primeiro, construir a infraestrutura. Não é muito complexa, mas há um conjunto de infraestruturas que têm de ser feitas, inclusive acessos, preparação dos terrenos e condições de saúde e segurança", explicou à TSF Ricardo Conde.

Depois, o concurso para a base de Santa Maria ainda não está fechado. Já foi escolhido um consórcio, mas ainda há passos a dar. O presidente da agência espera concluir o processo nas próximas semanas.

"Eventualmente contestações, clarificações e espera-se, no final de março, ter um resultado. Se o consórcio selecionado segue e se vai ou não fazer o contrato. Este é o ponto da situação", afirmou o presidente da Portugal Space.

Com dois anos de vida, a Portugal Space vai já no segundo líder. Na hora da saída, a primeira presidente apontou falta de massa crítica na indústria portuguesa. Ricardo Conde desvaloriza e indica outros caminhos.

"Há, neste momento, algumas empresas que estão interessadas em vir para Portugal e trabalhar nestes domínios, juntamente com parcerias com empresas nacionais. É por aí que vamos construir a nossa massa crítica, não é, obviamente, importar, de forma pura e dura, uma empresa para o fazer", esclareceu Ricardo Conde.

O líder da agência portuguesa diz que quer trazer de volta talento que saiu do país.

"As nossas pessoas são fantásticas, temos um nível de engenharia e reconhecimento lá fora também fantástico. É uma questão de ver que oportunidades há no país para que as pessoas que estão lá fora também regressem", sublinhou o presidente da Portugal Space.

A Portugal Space funciona em colaboração muito próxima com a Agência Espacial Europeia (ESA). Ricardo Conde defende que não há outra forma.

"Não é possível os países pequenos terem programas nacionais extremamente ambiciosos. Então isto faz-se cooperativamente com os outros estados. A ESA não só fomenta a promoção das capacidades nacionais, como nos ajuda no percurso e a que hoje estejamos numa posição diferente", acrescentou Ricardo Conde.

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