Envelhecer é inevitável? "Haverá tratamentos para o envelhecimento nos próximos anos"

Andrew Steele é um dos biogerontólogos que acredita que o envelhecimento poderá ser tratado e revertido e conta à TSF que tal será na possível na escala de vida de algumas pessoas hoje existentes.

É uma ideia controversa, Andrew Steele não nega. O biólogo defende, em declarações à TSF, que o percurso de vida não tem de assentar na narrativa do envelhecimento como algo de inescapável. "Não digo necessariamente que o envelhecimento seja uma doença, embora algumas pessoas o considerem, mas não importa realmente o lhe chamamos: o ponto importante é que o envelhecimento causa a maior parte dos problemas de saúde no mundo moderno. Por exemplo, ter pressão alta eleva para aproximadamente o dobro o risco de se ter um ataque cardíaco; se tivermos 80 anos, em vez de 40, esse risco é multiplicado por dez."

Há outros cientistas, conhecidos como biogerontólogos, que também pensam assim. A cada sete ou oito anos, o risco de morte duplica. Uma criança de dez anos tem em média 0,00875% de probabilidade de morrer, e, aos 65 anos, esse risco sobe para 1%. A partir dos 92 anos, o ser humano tem 20% de probabilidade de não chegar ao ano seguinte. No livro "Ageless: The New Science of Getting Older Without Getting Old", Andrew Steele sustenta que a "cura" para a "doença" do envelhecimento é um cocktail de estratégias.

"Não acredito que haverá um único tratamento: será um portfólio de diferentes abordagens que atacam as 'marcas' subjacentes ao processo de envelhecimento; as mudanças celulares e moleculares fundamentais que levam ao nosso envelhecimento e que vão desde a reparação a danos do DNA e às proteínas e moléculas dentro das nossas células, às próprias células que envelhecem e apresentam um mau funcionamento, a sistemas inteiros, como o sistema imunológico, que enfraquece com a idade." As 'marcas' a que Andrew Steele se refere não são doenças como o cancro, embora a doença oncológica seja provocada pelas marcas que também estão na origem do envelhecimento. É nesses fatores que os biogerontólogos fixam as esperanças.

Andrew Steele garante que a ideia não é prolongar a vida com sofrimento. "A boa notícia é que os mesmos processos básicos que sustentam o envelhecimento físico também causam o envelhecimento do cérebro e doenças como a demência; portanto, os tratamentos para um também devem melhorar a saúde do outro."

O ser humano procura uma cura para o envelhecimento há milhares de anos. Depois dos mitos da pedra filosofal e da fonte da juventude, nas últimas três décadas, a investigação da biogerontologia acelerou e há expectativas otimistas em relação ao futuro. "Acho que nunca seremos imortais no verdadeiro sentido da palavra, porque poderemos sempre ser atropelados por um autocarro ou morrer de uma doença infecciosa, mas acredito que os primeiros tratamentos para o processo de envelhecimento, que melhorarão a expectativa de vida e a saúde humana, podem estar disponíveis nos próximos anos, e, se tivermos sorte, poderemos estender significativamente a expectativa de vida humana para a maioria das pessoas hoje vivas", fundamenta o biólogo.

Uma combinação de dasatinib, um fármaco para doentes com cancro, e de quercetina, muitas vezes utilizada como supressor dietético, foi aplicada, em 2015, num grupo de ratos, de forma a reduzir a senescência. A mistura mostrou uma regressão dos sinais do envelhecimento, chegando mesmo a melhorar a função cardíaca. Na perspetiva de Andrew Steele, tudo indica que "haverá tratamentos para o envelhecimento nos próximos anos".

"Muitas vezes, acho que as pessoas imaginam que vamos estender o período de velhice, vivendo até aos 150 anos, mas passando os últimos 50 anos num asilo. Mas não é mesmo o caso: tudo o que tentamos no laboratório que estende a vida útil torna os animais mais saudáveis ​​também. E faz sentido: se estivermos frágeis e doentes, é mais provável que morramos, enquanto se a nossa saúde for boa, poderemos viver mais."

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