"Um milhão de novos virus RNA" podem ser descobertos até ao final do ano

Grupo de cientistas encontrou aproximadamente 132 mil novos vírus RNA através de uma nova ferramenta informática, a Serratus.

Após descobrir mais de 130.000 vírus RNA desconhecidos, o grupo de cientistas que desenvolveu a ferramenta Serratus, que permite a descoberta de vírus RNA desconhecidos, espera encontrar "um milhão de novos vírus RNA" até ao final do ano.

Em declarações à TSF, Marcos de La Peña Rivero revelou o trabalho que realizaram nos últimos 15 dias, em que usando "22 mil e 500 processadores do servidor da Amazon", "encontraram aproximadamente 132 mil vírus", mas revela ainda que "temos centenas de milhares de vírus possíveis, inclusive um milhão de vírus que não cumprem as características que conhecemos".

Com a Serratus, os cientistas esperam "começar a definir como é realmente uma determinada proteína". Marcos de La Peña Rivero confessa que a quantidade de vírus que existem no planeta "é brutal" e não fecha as investigações, porque ainda tem "muitas variedades para descobrir".

O cientista confessa que quando começaram o trabalho, sabiam que "há muitos vírus", mas nunca imaginaram "que o método fosse tão eficiente", por isso "foi uma surpresa encontrar o que encontrámos, não tanto pelo que desconhecíamos, mas pelo método que foi tão eficiente. Surpreendeu-nos sobretudo, o dia em que (a ferramenta) funcionou e a quantidade de elementos virais. Foi fortuito".

A Serratus, desenvolvida por uma equipa multidisciplinar de cientistas, é uma ferramenta de computação em nuvem ('cloud') que, utilizando um grupo de 22.500 processadores de computador, permitiu buscas massivas de sequências virais nos milhões de gigabytes de dados de sequenciamento disponíveis em diversas bases de dados genéticas.

A análise detalhada de certas famílias virais permitiu a descoberta de mais de 30 novas espécies de coronavírus, incluindo exemplos em vertebrados aquáticos, como peixes e anfíbios, cujos coronavírus apresentavam um genoma segmentado em dois fragmentos, que é uma característica descrita noutras famílias de vírus, mas que não tinha ainda sido detetada em coronavírus.

A análise permitiu que o investigador Marcos de la Peña Rivero detetasse vírus semelhantes noutros animais, incluindo alguns invertebrados.

"Surpreendentemente, aqueles vírus também foram encontrados em amostras recolhidas em lagos e solos, por todo o mundo, e cujos hospedeiros seriam desconhecidos até ao momento", explicou o investigador.

A base de dados de todos os vírus descobertos neste trabalho e o conjunto de ferramentas desenvolvidas estão disponíveis de forma livre e aberta em www.serratus.io.

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