Ficará a Web Summit em Lisboa depois de 2028? "Provavelmente, não iremos embora nunca"

Apesar de, no próximo ano, arrancar uma edição da Web Summit no Brasil, Paddy Cosgrave, cofundador do evento, admite continuar em Portugal além do planeado.

Foi há seis anos que a Web Summit se instalou em Lisboa. Uma decisão que, na altura, não foi compreendida. Hoje, garante, Paddy Cosgrave, Lisboa é a "cidade mais atrativa do mundo" e, por isso, o cofundador da cimeira admite que o evento possa "nunca deixar" a capital portuguesa.

"É uma loucura!", comentou Cosgrave, que esteve, esta quinta-feira, com o Presidente da República e o ministro da Economia, num encontro com startups portuguesas do programa "Road 2 Web Summit", em Belém.

"A pergunta de todos os jornalistas, há seis anos, era: "Porquê Portugal?". E tivemos de passar imenso tempo a justificar por que motivo tínhamos decidido ir para Lisboa. Parecia uma escolha sem lógica, na altura. Devíamos ter ido para Berlim, Estocolmo, Amesterdão, Londres ou Paris ou para qualquer outro sítio. Não para Lisboa!", recordou.

Desde então, o país tornou-se numa "fábrica de 'unicórnios'" (empresas avaliadas em mais de mil milhões de dólares antes de abrirem capital em bolsas de valores).

"Dos dez unicórnios que temos no Sul da Europa, sete foram criados em Portugal. Portanto, estamos a tornar-nos numa nação de startups", destacou o ministro da Economia, António Costa Silva.

O governante aproveitou a ocasião e expôs argumentos para convencer outras startups a fixarem-se em território português: "Somos um povo muito amigável, o país é muito estável e muito seguro - um dos mais seguros do mundo. Por isso, sintam-se em casa, desenvolvam o vosso trabalho aqui. São sempre bem-vindos".

O convite é endereçado também pelo Presidente da República, que explica porque é que Portugal é uma potência do multilateralismo: "É na Europa, mas não demasiado na Europa. É no Ocidente, mas não demasiado no Ocidente. É perto de África. Perto da América Latina. Tem pontes com diferentes americanos - os do Norte do Atlântico e os do Sul do Atlântico. É próximo da Ásia, embora não pareça. E isto é a nossa força".

Tudo pontos que foram aproveitados pelas startups apresentadas, esta quinta-feira, na mostra do "Road 2 Web Summit" e que vão estar nesta edição da cimeira. Entre os projetos em destaque, há uma turbina eólica para criar energia em casa; uma aplicação de personal trainers para a saúde mental e até uma plataforma de recrutamento de empreendedores ucranianos para Portugal, em tempo de guerra.

Por tudo isto, Marcelo Rebelo de Sousa não tem dúvidas: é em Portugal que a Web Summit deve estar.

"Eu sinto que vai ser um sucesso, este ano. Tenho a certeza. E no próximo ano, e no ano seguinte - até que se descubra um sítio melhor. Nada é eterno (...). Mas, neste momento, este é o melhor lugar", atirou.

E Paddy Cosgrave teve de render-se: "Os jornalistas dizem-nos: "Então, mas só vão ficar por mais seis anos? Por que é que haveriam de deixar Lisboa?". E eu acho que a resposta é que, provavelmente, não deixaremos nunca".

Para já, a Web Summit em Lisboa está assegurada até 2028. No próximo ano, contudo, o evento realiza-se também na cidade do Rio de Janeiro, no Brasil.

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