Genética tem "pequeníssimo efeito" na homossexualidade. O gene gay não existe

Nem mesmo as cinco marcas genéticas mais ligadas à escolha de parceiros do mesmo sexo chegam sequer a ter um peso de 1% na homossexualidade de uma pessoa.

Um estudo publicado na revista Science, e realizado a partir do genoma de meio milhão de pessoas, concluiu que não há um gene homossexual, o que significa que a análise do ADN não pode levar a qualquer certeza sobre a preferência sexual de um ser humano.

A mesma investigação indica que há uma mistura de genes e fatores ambientais que aponta para a possibilidade de uma pessoa vir a ter interesse por alguém do mesmo sexo.

Apesar de terem sido detetados milhares de porções genotípicas relacionadas com o comportamento homossexual, estas têm manifestações muito reduzidas. Cinco destas marcas genéticas foram "significativamente" associadas à escolha de parceiros do mesmo sexo, de acordo com os investigadores, mas mesmo esta parte do genoma não pode fazer prever a homossexualidade de um ser humano.

Este "pequeníssimo efeito" contribui para menos de 1% da tendência sexual de uma pessoa, explica a agência Reuters. Ou seja, o que este estudo assinala de mais relevante é que fatores como o ambiente envolvente, a educação e a personalidade têm um peso muito mais significativo na escolha de um parceiro sexual.

Durante o estudo, o mais abrangente deste tipo, foram analisadas amostras do ADN de mais de 470 mil pessoas pela empresa 23andMe e pelo organismo inglês de investigação médica UK Biobank. A este dado juntou-se a recolha de informações sobre o estilo de vida, através de perguntas como: "Em algum momento já fez sexo com uma pessoa do mesmo sexo?" Apenas 3% a 6% dos inquiridos responderam afirmativamente.

Todos os dados foram analisados, numa investigação 100 vezes maior do que os estudos anteriores sobre este tópico. As conclusões da equipa de investigação assinalam, assim, que não há uma resposta taxativa sobre a influência da natureza ou da criação na preferência homossexual.

Contactado pela TSF, João Lavinha, investigador do Departamento de Genética Humana do Instituto Nacional Ricardo Jorge, consultou o relatório publicado pela Science e apontou os pontos fundamentais a retirar: "apenas um parte muito minoritária (neste caso menos de 1%) da variação comportamental observada na população é explicável para variação genética no seio dessa população, sendo os fatores ambientais os mais influentes"; "a associação estatisticamente significativa entre variantes genéticas em alguns (cinco) locais do genoma e a característica considerada (neste caso a orientação sexual) é válida em termos populacionais mas não tem valor preditivo do comportamento individual"; "uma associação estatística não representa um nexo de causalidade entre a variação genética e o traço comportamental". "Em termos mais gerais, parece poder concluir-se deste estudo que não há, como seria de esperar, qualquer fatalismo genético na determinação do comportamento sexual", considera João Lavinha.

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