O robot também aprende. Inteligência artificial resolve cubo mágico em 4 minutos

O sistema da OpenAI usou um computador para simular a aprendizagem, reforçada por uma série de mudanças de ambiente e de obstáculos, que um homem de QI médio levaria dez mil anos a completar.

"Um ser humano com um nível médio de inteligência não é particularmente bom a resolver os cubos de Rubik", constata o professor Ken Goldberg, da Universidade da Califórnia, e também um dos responsáveis pela investigação da OpenAI. Se se adicionar a esse desafio a dificuldade de atingir seis faces pintadas apenas de uma cor com a ajuda de uma única mão, o mecanismo é fica ainda mais complexo.

No entanto, o quebra-cabeças foi desmantelado por um robot com uma facilidade que impressiona. O sistema da OpenAI usou um computador para simular a aprendizagem, reforçada por uma série de mudanças de ambiente e de obstáculos, que um homem de QI médio levaria dez mil anos a completar.

Uma vez ensinado, a estrutura robótica foi mesmo capaz de solucionar um cubo, anteriormente modificado para auxiliar a máquina a informar de que forma estaria a ser suportado. A tarefa foi concluída em tempos variados, mas a equipa de investigadores calculou que todo o processo demorou, em média, quatro minutos a ser finalizado, conta a BBC esta quarta-feira .

Este teste já tinha sido feito anteriormente. Em março de 2018, um dispositivo de inteligência artificial desenvolvido por engenheiros do MIT conseguiu resolver um cubo mágico em 0,38 segundos.

A equipa da OpenAI, contudo, recorreu a um robot com várias funcionalidades e desenhado para se assemelhar à mão humana. "A capacidade de resolver o cubo de Rubik no mundo real, na mão de um robot, é realmente extremamente difícil", referiu Matthias Plappert, coordenador da equipa de investigação de robótica da OpenAI, em declarações à BBC. "É necessário controlar os dedos com muita precisão, durante um longo período de tempo, sem interferir com o centro. Além disso, muito pode correr mal durante o procedimento."

Os obstáculos que esta investigação inclui traduzem-se na chamada técnica de randomização automática de domínio (ADR), usada para fornecer ao robot uma destreza consistente e complexa, capaz de lidar com mudanças de condições que vão além do que um computador poderia prever e simular.

Num vídeo de demonstração publicado na terç-feira, a OpenAI demonstra que o aumento da dificuldade a que o robot foi sujeito - como tocar o cubo com uma girafa de peluche ou cobrir o objeto com uma folha preta - não impedia necessariamente a conclusão do cubo.

Há, no entanto, desafios em que a mão humana ainda leva a melhor. Para os seres humanos, lidar com interrupções ou complicações, principalmente com a manipulação de objetos, é instintivo, mas, para a inteligência artificial, este ainda é um grande desafio. Cabe à robótica passar para lá dos jogos e transpor os limites que a realidade ainda lhe impõe. Ainda serão necessários entre dez e 20 anos para que os robots possam, por exemplo, baralhar as cartas de um baralho.

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