Chifres no crânio? Excesso de telemóvel pode alterar biologia humana

Os esporões ósseos devem-se à inclinação frontal da cabeça, que faz deslocar o peso da coluna para os músculos da parte de trás da cabeça.

Os jovens estão a desenvolver espinhos comparáveis a chifres na parte posterior do crânio, aponta um estudo de investigadores australianos. Os esporões ósseos devem-se à inclinação frontal da cabeça, que faz deslocar o peso da coluna para os músculos da parte de trás da cabeça.

Esta sobrecarga provoca, assim, o crescimento ósseo nas articulações com tendões e outros elementos de ligação. A transferência de peso é equiparável ao processo de engrossamento da pele que cria calo, em resposta à pressão ou abrasão.

O resultado é, na prática, uma espécie de gancho, ou chifre, que emerge do crânio logo acima do pescoço, avançou o jornal norte-americano The Washigton Post . Os investigadores responsáveis pelo estudo apontam que a prevalência do crescimento ósseo em jovens adultos é uma evidência clara de que a postura corporal está a mudar pelo uso continuado da tecnologia moderna. As conclusões da equipa da Universidade de Queensland, na Austrália, provam, assim, que os dispositivos portáteis estão a contorcer o esqueleto humano ao forçar os utilizadores a inclinar a cabeça durante o seu uso.

Esta constitui, portanto, a primeira descoberta documentada de uma adaptação fisiológica à interação tecnológica. Os especialistas deixam o alerta quanto ao "pescoço de mensagem" e ao "polegar de texto", que não são condições claramente definidas, mas têm semelhança com a síndrome do túnel do carpo. No entanto, pesquisas anteriores não relatam alterações profundas no corpo pelo uso de telemóveis.

As saliências ósseas têm sido apelidadas de "chifres de cabeça" ou "ossos do telefone", denominações que David Shahar, o primeiro autor do artigo, doutorado em biomecânica na Universidade de Queensland, na Austrália, considera adequadas.

De acordo com o investigador David Shahar, a formação é um sinal de uma grave deformação na postura que pode causar dores de cabeça crónicas e dor na parte superior das costas e pescoço.

As esporas ósseas, que se acredita medirem em média entre três a cinco milímetros de comprimento, podem chegar aos 10 milímetros.

O perigo não é a própria cabeça de chifre, analisa Mark Sayers, professor associado de biomecânica na mesma universidade, que atuou como supervisor e coautor de Shahar. No entanto, a formação é um "presságio de que algo preocupante acontece noutro lugar, um sinal de que a cabeça e o pescoço não estão na configuração correta",conclui.

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