O eclipse no Príncipe e no Brasil que ajudou a provar a maior teoria de Einstein

Quando Einstein contrariou Newton e defendeu que a gravitação é uma curvatura no espaço-tempo provocada por uma massa, foi preciso um eclipse para provar que tinha razão.

Passam esta quarta-feira cem anos desde que a Teoria da Relatividade Geral de Einstein foi validada pela primeira vez. Tudo graças a um eclipse total do Sol no Brasil e na ilha do Príncipe, ainda colónia portuguesa.

Publicada em 1915, a teoria da gravitação do físico de origem alemã Albert Einstein - a Teoria da Relatividade Geral - prevê um desvio da luz das estrelas pela ação gravítica do Sol duas vezes maior que o postulado na teoria do físico britânico Isaac Newton, na época em vigor há 200 anos.

Para que a teoria einsteiniana fosse comprovada teriam de ser observadas estrelas próximas do Sol durante um eclipse total, caso contrário a luminosidade solar impediria a visibilidade das estrelas. Depois, era preciso comparar a posição das mesmas estrelas, antes ou depois do eclipse, numa observação noturna.

Só assim é possível medir até que ponto a presença do Sol provoca um desvio na posição das estrelas no céu, devido ao encurvamento da luz pelo campo gravítico do Sol.

No dia 29 de maio de 1919 todas as estrelas se alinharam para testar a nova teoria. Literalmente. O Sol ficaria completamente tapado pela Lua durante seis minutos e estava no enxame de estrelas das Híadas, um dos mais brilhantes.

Na faixa de observação do eclipse estavam dois países de língua portuguesa: São Tomé e Príncipe e o Brasil. Foi para lá que rumaram duas expedições científicas britânicas, uma para o Sobral, no Ceará brasileiro, e outra para roça Sundy, no Príncipe, com apoio do Observatório Astronómico de Lisboa (OAL).

A primeira equipa foi liderada por Charles Davidson e Andrew Crommelin e a segunda pelo astrónomo Arthur Eddington. O trabalho que desenvolveram revolucionou a nossa visão do Universo, mas também foi "um desafio" no pós-primeira Guerra Mundial, destaca Joana Latas, coordenadora das celebrações do centenário na ilha do Príncipe.

"A expedição foi levada a cabo por astrónomos britânicos para provar a teoria de um alemão", explica: a guerra mal tinha acabado e dois países inimigos foram capazes de se unir em nome da ciência.

Não foi fácil, estava um dia nublado e as chapas fotográficas tiveram de ser captadas através de uma camada de nuvens. Apenas duas foram aproveitadas, conta Rui Agostinho.

Antes desta data houve dois eclipses totais do Sol que potencialmente favoráveis para a confirmação da teoria de Einstein - um em 10 de outubro de 1912 e outro em 21 de agosto de 1914, mas em nenhum dos casos foi possível fazer a observação desejada. Na primeira ocasião choveu e na segunda o líder da expedição científica, Erwin Freundlich, foi preso pelos russos.

A ilha do Príncipe e Sobral, no Brasil, assinalaram os 100 anos da comprovação da Teoria da Relatividade Geral de Einstein com várias iniciativas e presença de dezenas de investigadores de todo o mundo.

Esta quarta-feira Marcelo Rebelo de Sousa está em São Tomé e Príncipe para participar na inauguração do o Espaço Ciência Sundy, na roça com o mesmo nome.

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de