50 anos da missão Apollo 11

Há 50 anos chegámos a uma "desolação maravilhosa" e demos o nosso maior salto

Distância é uma palavra relativa. Mais de 100 anos antes de Neil Armstrong pisar a Lua pela primeira vez, Júlio Verne argumentava que os mais de 380 mil quilómetros que separam Terra do seu satélite natural não eram nada comparados com a distância que qualquer "vindante desemburrado" já teria percorrido durante a sua existência.

"Iremos à lua, iremos aos planetas. Iremos às estrelas como hoje se vai de Liverpool a Nova Iorque, facilmente, rapidamente, seguramente. E o oceano atmosférico será em breve ultrapassado", escreveu o autor francês no romance "Da terra à lua".

Este "em breve" só chegou no dia 20 de julho de 1969, mas discurso semelhante ao proferido pela personagem Michael Ardan impulsionou o desafio de conquistar a Lua.

Em maio de 1961, no Rice Stadium, em Houston, Texas, John F. Kennedy anunciava ao mundo: "Decidimos ir à Lua. Decidimos ir à Lua nesta década e fazer as outras coisas, não porque elas são fáceis, mas porque são difíceis".

Não era fácil, mas era urgente. Em plena Guerra Fria, os russos a ultrapassavam sistematicamente os norte-americanos na corrida ao espaço . A ex-URSS antecipou-se com o primeiro satélite em órbita - Sputnik -, o primeiro homem no espaço - Iuri Gagarin - e até o primeiro animal - a cadela "Laika".

Uma sucessão de tentativas e erros depois, no dia 16 de julho de 1969, a missão Apollo 11 estava pronta para sair da Terra. O imponente Saturno V levou multidões à plataforma 39A do Centro Espacial John F. Kennedy no Cabo Canaveral, Florida.

Às 9h32, apenas um segundo depois a hora agendada, o foguetão com 111 metros, o maior e mais potente alguma vez lançado para o Espaço, levanta voo.

Apertados nos seis metros cúbicos do módulo de comando Columbia, Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins começavam a viagem mais importante das suas vidas.

Só no dia 20, Aldrin e Armstrong entram no Egale (Águia), o módulo lunar, para a última descida até a cratera conhecida como Mar da Tranquilidade. Para trás, no Columbia, fica Michael Collins.

"Desde Adão que nenhum humano sentiu tanta solidão como Mike Collins nos 47 minutos de cada órbita em que está atrás da Lua sem ninguém com quem falar", comentou alguém no centro de comandos, já terminada a missão.

A alunagem foi mais complicada do que o esperado. Armstrong assume os comandos manuais do módulo para se corrigir a direção e tentar evitar as rochas de maior dimensão. Até ali fora o mais calmo dos três, mas depressa o seu batimento cardíaco sobe de 77 para 156 batimentos por minuto.

Menos potentes do que os atuais smartphones, mas ainda assim com tecnologia 10 anos à frente do seu tempo, os computadores da NASA emitiram vários alarmes, mas o sangue manteve-se frio.

Gastou-se mais combustível do que o desejável, mas a Águia lá acaba por pousar no Mar da Tranquilidade, uma cratera com 33 metros de diâmetro. "The Eagle has landed", reporta Armstrong a um centro de comandos onde todos sustinham a respiração: "Roger. Alguns de nós estávamos a ficar azuis aqui. Já voltámos a respirar. Obrigado."

Neil Armstrong é o primeiro a descer as escadas do módulo e a pisar um mundo novo, deixando a sua marca na poeira até aqui intocada. Foi "um pequeno passo para o Homem, mas um salto gigante para a humanidade".

Buzz Aldrin saiu a seguir e descreveu a Lua como uma "desolação maravilhosa". Um lugar "sem cor", como um deserto de giz entre o branco e o cinzento.

Caminhar com uma gravidade equivalente a um sexto da que é sentida na Terra é mais fácil do que nas simulações, garantem. Os dois astronautas norte-americanos tiraram fotografias e filmam o momento, executam uma série de experiências programadas, recolhem amostras e instalam instrumentos científicos no solo - detetores de sismos, impactos de meteoritos e eventuais erupções vulcânicas.

E em plena Lua: um telefonema. O então presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, felicita "Neil e Buzz" a partir da Sala Oval: o orgulho sentido pelos norte-americanos neste dia é partilhado por toda a humanidade, diz.

"Por um momento de valor inestimável, em toda a História do Homem, todas as pessoas nesta Terra são apenas uma (...) Por causa do que fizeram os céus tornaram-se parte do mundo do Homem".

Armstrong e Aldrin deixam na Lua uma placa metálica assinada por Michael Collins, Edwin 'Buzz' Aldrin, Neil Armstrong e Richard Nixon. "Aqui, homens do planeta Terra pisaram a Lua pela primeira vez em julho de 1969. Viemos em paz e por toda a humanidade", pode ler-se.

Em tensão perpétua, sem vento para ondular, ficou também a bandeira dos Estados Unidos.

O regresso a casa decorre sem sobressaltos. Às 12h35 o módulo de comando inicia a reentrada na atmosfera e minutos depois amara no Oceano Pacífico, 825 milhas náuticas de Honolulu, no Havai.

Na ilha que os recebe, a tripulação do Apollo 11 preencheu uma declaração dos serviços de imigração e alfandegários do Havai como piada. Têm a declarar 22 quilos de carga composta por "rochas lunares e amostras de pó lunar". Se têm doenças fica "por determinar".

Os astronautas saem do módulo com fatos de isolamento e são borrifados com desinfetante. Os europeus também levaram doenças desconhecidas para o Novo Mundo, não se sabe que perigos podem trazer os estes novos colonizadores de regresso ao país de origem.

Ainda terão de passar por um período de quarentena, mas assim que puderam voltar a pisar o seu próprio planeta foram recebidos como heróis.

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de