METI vai enviar mensagem para o Espaço à procura de vida inteligente

A comunidade científica há muito que procura saber se há vida extraterrestre nos confins do universo.

É esta terça-feira que, sob o mote do Espaço e da sustentabilidade, que o Messaging Extraterrestrial Intelligence, sediado em São Francisco, nos Estados Unidos, vai procurar por vida extraterrestre.

A partir do Goonhilly Satellite Earth Station, no Reino Unido, o grupo METI pretende enviar uma mensagem em direção à estrela Trappist-1, situada a 39 anos-luz da Terra, e que é orbitada por sete planetas, sendo que três deles estão situados numa zona onde a água pode permanecer em estado líquido, ou seja, com potencial para sustentar vida.

De acordo com Douglas Vakoch, presidente do METI, a mensagem a enviar vai conter dados sobre átomos e sobre a tabela periódica, bem como informações científicas sobre o meio ambiente no planeta Terra. No entanto, não são só dados científicos que vão ser enviados para o Espaço. A transmissão irá conter também amostras de música. Entre elas, "Ode 1. Ode to the Herald of God. A Beauty of the Earth", do compositor soviético Eduard Artemyev, e "Journey Through the Asteroid Belt", dos The Comet is Coming.

Mas desengane-se quem pensa que a resposta será tão rápida quanto um e-mail. A distância que nos separa de Trappist-1 é tal que, se houver vida inteligente, com um nível de desenvolvimento suficiente para interpretar e responder à nossa mensagem, essa resposta só chegará daqui a cerca de 80 anos.

David Sobral, astrofísico, e autor do livro "Qual é o nosso lugar no universo?", reconhece que existem alguns entraves para descobrir vida inteligente através do método da METI, já que "teriam que existir extraterrestres à procura. Pelo que vejo, o que vão enviar é algo não natural. Mas, ainda assim, tinham que existir antenas rádio a apontar na direção da Terra para as detetar e acionar algum mecanismo". Ainda assim, David Sobral admite que o método é viável.

Por outro lado, o astrofísico que liderou a equipa que descobriu a galáxia CR7, a mais brilhante dos primórdios do universo, deixa um alerta: será que queremos enviar um sinal a dizer que estamos aqui? "Já existiram muitas discussões científicas sobre se será uma boa ideia enviar sinais a dizer que estamos aqui. Se calhar nós não queremos atrair a atenção de outras civilizações que possam ser mais sofisticadas. Mas, além disso, não é uma atividade científica principal, não é isto que a maior parte dos cientistas faz. Nós, normalmente, ficamos à escuta, tentamos captar esses sinais e não enviá-los. No entanto, isto já foi feito, já foi tentado também. Normalmente enviam-se sinais para grandes enxames de estrelas. Mas agora começamos a saber onde é que existem estes planetas com potencial para vida sublinha David Sobral.

O astrofísico reconhece que a estrela Trappist-1 é orbitada por planetas que, em princípio, são parecidos com o nosso. No entanto, deixa uma ressalva: esta estrela tem características diferentes do nosso sol. "Este é, talvez, um dos sistemas solares mais espetaculares, com os sete planetas, muitos deles bastante parecidos, em princípio com a Terra. Mas, ao mesmo tempo, estamos a falar de um sistema solar que é ainda mais velho, e isto talvez traga alguma relevância, que o nosso sistema solar. Esta estrela é muito pequenina, é algo quase do tamanho de Júpiter. Portanto, ainda que possa ter algumas semelhanças, ou propriedades que possa acolher vida, ou ter levado à existência de vida, é um sistema solar muito extraterrestre, com uma estrela muito vermelha, muito fria. Não dá para passar férias em agosto, mesmo que exista algo como Portugal", destaca David Sobral.

Encontrar vida extraterrestre é, há muito, um desejo da comunidade científica ligada às questões do universo. O astrofísico David Sobral acredita que, a nível microscópico, essa descoberta pode estar perto. "Uma grande descoberta já seria encontrar vida fora da Terra, que tenha tido origem fora da Terra. Creio que esse passo já é um passo de gigante, e acredito que esse passo é aquele que está mais perto de acontecer. Talvez no próprio sistema solar, em dois dos gigantes gasosos, ou uma espécie de assinatura de vida microbiana noutros planetas e noutros sistemas solares. Agora, vida inteligente, eu diria que talvez falte muito mais tempo. Há incerteza sobre a quantidade dessa vida inteligente. E o grande problema é a distância" remata o autor do livro "Qual é o nosso lugar no universo?".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de