Mobilidade elétrica: "Há muito menos carregadores no Interior"

Postos de carregamento chegam a distar 50 km entre si em Portugal.

Um estudo da Deco, Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor, divulgado esta segunda-feira, sobre mobilidade elétrica, revela que há falta de postos de carregamento na rede pública e que as distâncias entre postos de carregamento continuam a ser demasiado longas. Este estudo foi desenvolvido de outubro do ano passado a janeiro deste ano, percorreu três mil quilómetros, passando, para além de Portugal, também por Espanha, Itália e Bélgica. A Deco encontrou realidades muito parecidas nestes quatro países e defende mesmo uma rede conjunta de carregamentos da União Europeia.

Em Portugal, há a evidência de um país dividido entre o litoral e o interior, encontrando-se um interior com menos energia e um litoral com mais sítios para carregar o automóvel elétrico. Além disso, entre um e outro posto, muitas vezes, distam mais de 50 km.

"A eletrificação tem de chegar a todo o lado. São zonas menos populacionais, com menos necessidades, mas também existe essa necessidade. Há muitos menos carregadores no interior do que no litoral", refere Alexandre Marvão, especialista em mobilidade da Deco.

"Fizemos o percurso pelo litoral Norte e depois no Alentejo interior até ao Algarve e há zonas do Alentejo em que se percorre mais de 50 km para chegar a um carregador, quase sempre único e de potência mais baixa", acrescenta.

Para além de melhorar a quantidade de postos de abastecimento, Portugal precisa de melhorar também a capacidade de potência dos carregadores. O especialista da Deco dá o exemplo das autoestradas. Mas nem tudo é mau, o pagamento lá fora é mais difícil que cá dentro, como explica Alexandre Marvão à TSF. É preciso agora salvaguardar que alguém sem cartão, por exemplo um turista, consiga fazer um carregamento. A Deco aponta soluções como um cartão pré-pago que se pode comprar na própria bomba de combustível e no posto de carregamento ou a possibilidade de pagamento por multibanco.

A Deco está convicta de que estes resultados podem ser um entrave ao crescimento da utilização do automóvel elétrico. Este estudo aponta as mesmas dificuldades com as longas distâncias entre postos de carregamento em Espanha ou autoestradas em Itália, sem possibilidade de carregar um veículo elétrico.

Uma realidade que leva a Deco a apelar à criação de uma rede de carregamento conjunta da União Europeia.

A entrevista na íntegra a Alexandre Marvão, especialista em mobilidade da Deco, pode ser ouvida no programa da TSF - Desafios do Urbanismo, que será emitido na próxima quinta-feira, às 17h40.

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