Os 100 anos do curso de Engenharia Geoespacial: nasceu dos mapas, faz caminho com GPS

O nome pode remeter para o espaço, mas a verdade é que se trata de um curso com os "pés bem assentes na terra". Foi criado para formar engenheiros geógrafos e, 100 anos depois, é daqui que saem profissionais que estão por detrás de muitos gestos que se tornaram absolutamente banais.

O ano de 2021 marca o centenário do curso de Engenharia Geoespacial da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. A licenciatura, de cinco anos, nasceu em 1921, após uma proposta de Eduardo Ismael dos Santos Andreia, astrónomo e professor na faculdade. A ideia inicial era formar engenheiros geógrafos para trabalharem nas colónias portuguesas.

Ao longo destes 100 anos, o curso evoluiu, beneficiou das mudanças tecnológicas, mudou de nome, mas continua a formar profissionais que estão na origem de gestos que são hoje totalmente comuns.

Em pleno século XXI, não há quem não tenha, no carro ou na palma da mão, um qualquer sistema que nos guie o caminho. O professor João Catalão Fernandes nota que o GPS pode parecer muito sofisticado, mas não passa da evolução da cartografia antiga.

"O GPS permite-nos posicionar com rigor em qualquer local da terra e as imagens de satélite e fotografia aérea permitem-nos fazer cartografia de uma forma mais simples."

Quando surgiu, em 1921, o curso formava engenheiros geógrafos, especialistas que trabalhavam em cartografia: produziam e estudavam mapas, a partir dos chamados marcos geodésicos.

Hoje, o método é diferente. mas o objetivo mantém-se: medir com rigor o local e o estado de infraestruturas essenciais. Por exemplo, "o controlo dos pilares da ponte sobre o Tejo, da ponte Vasco da Gama, se os pilares estão a mexer ou não; a linha do metro que passa no Terreiro do Paço faz uma curva grande que anda dentro de água, isso é monitorizado diariamente".

Nestes casos, a medição é ao centímetro ou mesmo ao milímetro. Mas, no GPS do carro, já não é necessário tanto detalhe. "Para eu descobrir onde é a farmácia ou o restaurante, eu não preciso de um posicionamento melhor do que 4 ou 5 metros".

As novas técnicas reduziram o trabalho no terreno e aumentaram o tempo ao computador. E, há uns seis anos, transformaram também a Engenharia Geográfica de há um século, na Engenharia Geoespacial de hoje.

"Eu posso ter um sistema de cartografia do interior de um edifício", ou mesmo de algo bem mais pequeno e menos "físico": "O que o google está a fazer é a atribuir uma coordenada aos nossos e-mails. O e-mail sou eu! Neste momento, qualquer pessoa pode saber, através do e-mail, que nós os quatro estamos juntos."

Na Faculdade de Ciências, o curso de Engenharia Geoespacial tem agora cerca de 20 alunos. Miguel Espírito Santo gostava de aplicar os conhecimentos às alterações climáticas. Bruna Duarte está a terminar o curso mas o mestrado vai ser noutra área, a ciência de dados. Depois, é conjugar as duas coisas, de preferência, fora de Portugal.

João Catalão Fernandes, professor, reconhece o "problema". Muitos dos alunos que saem deste curso centenário, acabam mesmo por aplicar o talento além-fronteiras.

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