Parte de foguetão pode regressar à Terra de forma não controlada e cair num local imprevisível

O foguetão Long March 5B cumpriu a sua missão e fragmentou-se, mas há o risco de que a parte central, com 21 toneladas, possa cair na Terra.

Parte do foguetão que enviou para o espaço o módulo Tianhe, lançado na semana passada pela China, pode resistir à entrada na atmosfera, o que significa que poderá cair na Terra, num local imprevisível.

A confirmar-se esta pode ser uma das maiores reentradas descontroladas na Terra. Alguns especialistas temem que os detritos do foguetão Long March 5B possam cair numa zona habitada.

O exército norte -americano identifica este detrito com cerca de 30 metros e 21 toneladas - a parte central do foguetão - pelo nome "2021-035B". A sua trajetória pode ser acompanhada aqui.

Devido à velocidade a que de desloca, é impossível prever onde é que esta parcela do foguetão vai cair caso não seja completamente destruída na entrada na atmosfera.

Citado pelo jornal The Guardian, o astrofísico Jonathan McDowell, da Universidade de Harvard, nota que o mais provável é que o "2021-035B" caia no mar - já que 71% o planeta é coberto por água, mas lembra que na última vez em que a China lançou um foguetão Long March 5B acabaram por cair na Terra detritos que atingiram edifícios na Costa do Marfim.

"A maior parte ardeu [na atmosfera], mas havia pedaços enormes de metal que atingiram o solo. Temos muita sorte de ninguém se ter magoado."

Esta terça-feira o "2021-035B" está completar uma volta em torno do planeta Terra a cada 90 minutos, a uma altitude de 320 quilómetros. Estima-se que possa reentrar na atmosfera dia 10 de maio, com uma margem de erro de dois dias.

Desde 1990, nenhum objeto com mais de 10 toneladas foi deliberadamente deixado em órbita para regressar à terra sem controlo. O astrofísico Jonathan McDowell fala de um planeamento "negligente" por parte da China.

O foguetão Long March 5B enviou para o espaço o módulo principal da primeira estação espacial permanente da China, que visa hospedar astronautas até um período de seis meses.
Foi o primeiro lançamento de 11 missões necessárias para construir e abastecer a estação e enviar uma tripulação de três pessoas até ao final do próximo ano.

Os outros 10 lançamentos vão enviar mais dois módulos, usados pelas futuras tripulações para realizar experiências, suprimentos de carga e quatro missões com tripulações.

Pelo menos 12 astronautas estão a treinar para viver na estação, incluindo veteranos de missões anteriores. A primeira missão tripulada, a Shenzhou-12, está prevista para junho.

Quando concluída, no final de 2022, a Estação Espacial Chinesa deverá pesar cerca de 66 toneladas, consideravelmente menor do que a Estação Espacial Internacional, que lançou o seu primeiro módulo em 1998 e pesará cerca de 450 toneladas.

Teoricamente, a Tianhe pode ser expandida para até seis módulos. A estação foi projetada para operar por pelo menos 10 anos.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de