Regresso à Lua. Missão Artemis da NASA atrasa devido a fuga de combustível

Após ultrapassada a fuga detetada esta manha, a NASA acredita ser possível arrancar esta segunda-feira a missão Artemis.

A missão da NASA, Artemis, tem arranque previsto esta segunda-feira, com o lançamento do foguetão Space Launch System (SLS). O lançamento do SLS, um voo não tripulado e que tem acoplada no topo a cápsula Orion, marca o início do programa com que os Estados Unidos pretendem regressar à superfície da Lua em 2025, um ano depois do previsto, colocando a primeira astronauta mulher e o primeiro astronauta negro em solo lunar.

O lançamento que poderá será ser acompanhado em direto, será feito da base da agência espacial norte-americana NASA, em Cabo Canaveral, na Florida, nos Estados Unidos, com uma "janela de oportunidade" de duas horas que se abre às 13h30 de Lisboa.

Mas se o lançamento for bem-sucedido, e depois de circundar a Terra, o foguetão, do qual só restará no fim o módulo superior, dará o derradeiro impulso que posicionará a Orion na trajetória da Lua aproximadamente hora e meia depois da descolagem.

Já esta manhã, uma fuga de combustível detetada interrompeu a contagem decrescente para o lançamento do voo de teste do novo foguetão, sem tripulação, reaparecendo no mesmo local em que já tinha sido ultrapassada uma outra fuga num teste de contagem decrescente realizado na primavera, explicou a agência noticiosa AP.

Ao detetarem a fuga, os controladores de lançamento interromperam a operação de abastecimento, que já estava atrasada uma hora devido a trovoadas ao largo do Centro Espacial Kennedy, na Florida.

A NASA acredita que ainda será possível cumprir hoje o lançamento do novo foguetão lunar para colocar uma cápsula de tripulação na órbita lunar, apesar da deteção de uma fuga de combustível, segundo a agência espacial norte-americana.

O diretor adjunto de lançamento da NASA, Jeremy Graeber, disse que os controladores de lançamento finalmente conseguiram reduzir a fuga para um nível seguro e aceitável, onde se manteve estável, uma vez que quase um milhão de galões de combustível encheram os tanques do núcleo do foguetão.

Regresso à Lua "é boa notícia para a ciência, mas também para a Humanidade"

Em declarações à TSF, o astrónomo e comunicador de ciência Miguel Gonçalves explica a importância da missão Artemis.

"Regressar à Lua e desta vez com planos para permanências muito mais sustentadas e muito maiores é sempre uma boa notícia para a ciência, mas também para a Humanidade. É muito importante, porque os EUA passam a ter dois grandes lançadores para levar grandes quantidades de carga e de tripulação para a Lua. E, se quisermos focar, em específico, nesta missão Artemis I, ela é muito interessante, porque todos os componentes do foguetão e da cápsula, que futuramente irá levar tripulação, já foram testados individualmente. Este primeiro voo é uma espécie de tentar perceber como funciona a orquestra em conjunto. Vai ser testado, por exemplo, o maior escudo térmico fabricado pela Humanidade. Quando regressar a cápsula Orion regressar à Terra, este escudo térmico vai ter o teste de fogo", afirma.

Além da nave Orion, o SLS transportará dez microssatélites científicos (do tamanho de uma caixa de sapatos) que, depois de largados no espaço, permitirão estudar os efeitos da radiação, um asteroide ou a superfície gelada da Lua.

A bordo da Orion, que já fez um voo de teste à volta da Terra em 2014, seguem lascas de rochas lunares recolhidas pelo primeiro e segundo homens a pisarem a Lua, Neil Armstrong e Buzz Aldrin, em julho de 1969. No interior da nave viajam também três manequins que simulam astronautas. Um deles, no lugar do comandante, vai equipado com sensores que irão medir os efeitos da aceleração e vibração. Os outros dois, duas "mulheres", são feitos de materiais que imitam os ossos ou órgãos humanos. Um destes dois manequins vai vestido com um fato antirradiação. Sensores vão medir as taxas de radiação recebidas a bordo.

A nave tem um módulo europeu (da Agência Espacial Europeia, ESA) que a levará ao seu destino e de regresso a "casa", permitindo aos astronautas de missões futuras terem luz, água, oxigénio, nitrogénio e controlo de temperatura.

A viagem até à Lua, que durará cerca de quatro dias, terá um passageiro muito peculiar, o boneco Ovelha Choné, que irá estar a cerca de meio milhão de quilómetros da Terra (a Estação Espacial Internacional, onde vivem e trabalham temporariamente os astronautas, está aproximadamente a 400 quilómetros).

Na primeira missão Artemis (Artemis I), que tem a duração total de cerca de mês e meio, a Orion irá voar em redor da Lua, depois de se separar do foguetão SLS, numa órbita distante durante algumas semanas antes de regressar à Terra e amarar no oceano Pacífico.

A Orion voará a cerca de 100 quilómetros acima da superfície da Lua e usará depois a força gravitacional do satélite natural da Terra para fazer uma nova órbita, mais profunda, a cerca de 70 mil quilómetros. A nave permanecerá nesta órbita durante cerca de seis dias, para recolher dados e para que os controladores da missão possam avaliar o seu desempenho, circulando em redor da Lua na direção oposta à que a Lua orbita a Terra.

Para regressar à Terra, a Orion sobrevoará a Lua mais próximo, novamente a cerca de 100 quilómetros, e aproveitará a sua gravidade para acelerar em direção ao planeta. Várias câmaras no interior da nave permitirão seguir a viagem do ponto de vista de um passageiro e câmaras colocadas nas extremidades dos painéis solares, que fornecem energia à Orion, irão tirar fotos da nave com a Lua e a Terra em pano de fundo.

Segundo a ESA e a NASA, a Orion permanecerá no espaço mais tempo que qualquer outra nave para astronautas, sem acoplar a uma estação espacial, e regressará à Terra mais rápido e mais quente. A nave tem o maior escudo térmico alguma vez construído - cinco metros de diâmetro - e ao reentrar na atmosfera terrestre vai suportar uma velocidade de 40 mil quilómetros por hora e uma temperatura de cerca de 2800 ºC (praticamente metade da temperatura da superfície do Sol).

A velocidade será depois abrandada para 480 quilómetros por hora pela atmosfera e para 32 quilómetros por hora por três paraquedas, até a nave amarar ao largo de San Diego, nos Estados Unidos. Algumas horas depois, a Orion será recolhida para o interior de um navio da marinha norte-americana.

PROJETO DE ARTEMIS
Depois da missão Artemis I, que custou mais de quatro mil milhões de dólares (3,9 mil milhões de euros), a NASA espera em 2024 levar astronautas para a órbita da Lua (Artemis II) e em 2025 para a sua superfície (Artemis III).

A primeira etapa da missão Artemis (Artemis I) é levar a cápsula da tripulação para a órbita, de modo andar em volta da lua por seis semanas, permitindo à NASA fazer uma serie de testes do sistema, como por exemplo suporte de vida antes de colocar as pessoas abordo.

A Artemis II tem o objetivo idêntico ao primeiro: levar à lua instrumentos e astronautas que vão fazer preparações para a chegada segura de humanos.

Já a Artemis III vai marcar o retorno da humanidade à superfície da lunar pela primeira vez desde 1972. A NASA identificou 30 regiões perto do Polo Sul da lua. Cada região representa várias oportunidades para procurar recursos lunares.

Com a Artemis a NASA aproveita mais de 50 anos de experiência em explorações para reacender a "paixão da América" pela exploração do espaço. No que diz respeito às oportunidades económicas, a missão da NASA vai permitir uma economia lunar crescente, alimentando novas indústrias, apoiando o crescimento do emprego e promover a força de trabalho qualificada.

Por outro lado, a Artemis também vai explorar mais da lua do que nunca juntamente com parceiros comerciais e internacionais. Ao longo do caminho a missão vai envolver e inspirar novas audiências - a geração Artemis.

"Tudo o que construímos, tudo o que estudamos, tudo o que fazemos, prepara-nos para irmos (até à lua)", lê-se no site oficial da NASA.

Com o programa lunar Artemis, a NASA espera "estabelecer missões sustentáveis" na Lua a partir de 2028 com o intuito de enviar posteriormente astronautas para Marte. A partida para estas missões lunares ou para Marte será feita de uma estação espacial a instalar na órbita da Lua, a Gateway.

*Notícia atualizada às 13h45

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