Sexo com robôs: a tecnologia vai entrar no quarto
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Sexo com robôs: a tecnologia vai entrar no quarto

Nesta edição do Mundo Digital alargado recuamos até à WebSummit para recordar uma conversa que decorreu num dos palcos mais pequenos, mas onde esteve muito público a assistir. Uma conferência a que o jornalista Rui Tukayana assistiu e trouxe à antena porque o dia dos namorados está quase aí.

"É muito provável que, daqui a menos de 50 anos, seja comum fazer sexo com um robô. Aliás, é possível que uma criança nascida hoje possa vir ter sua primeira experiência sexual com um robô." Foi assim que começou uma das mais interessantes conversas ocorridas na WebSummit 2019.

Marianne Brandon é psicóloga clínica e sexóloga. No palco DeepTech falou sobre robôs criados para o sexo e sobre o futuro das relações entre os humanos e estas máquinas. Começou por admitir que "a tecnologia do sexo evoluiu tanto que podemos ter experiências sensuais que provavelmente não podemos replicar com um parceiro humano". Mas numa relação sexual há mais para além do sexo, diz. "Mesmo que a tecnologia sexual esteja disponível (e é ótimo que esteja, todos podem desfrutar desse prazer!) há muito na intimidade que não conseguimos com uma máquina: esse contacto humano com humano está no nosso ADN."

Mas se é fácil imaginar que não nos iremos apaixonar por um robô, também é fácil antever cenários onde eles poderão servir para apimentar uma relação.

"Nesses casos, o que é que um robô sexual poderia fazer? Bem, poderia proporcionar uma experiência a três, se essas pessoas quiserem enveredar por um caminho mais criativo, mas sem sentirem ciúme de um outro parceiro. Poderá também permitir que as pessoas explorem a criatividade sexual; experiências com o mesmo sexo, sem preocupações em perturbar seu companheiro. E, claro, os robôs sexuais estarão dispostos a fazer tudo o que se quiser na cama ao passo que, provavelmente, o seu parceiro humano tem limites!", afirma Marianne Brandon que recorda o ponto que já tinha sublinhado "desde que os intervenientes se lembrem que o que realmente importa é fazer amor de forma sentida. Os robôs sexuais oferecem-nos sexo, mas não fazem amor a sério".

Mas haverá circunstâncias em que não é nada disso que se procura.

Mais do que amor, estas máquinas poderão vir a ajudar pessoas que têm dificuldades em ter sexo, fruto, por exemplo, de disfunções sexuais. A sexóloga dá o exemplo de uma disfunção erétil alimentada pela ansiedade do desempenho, "Se uma pessoa se sente muito nervosa em relação ao que está acontecer com seu corpo, vai ser difícil para ela encontrar formas de trabalhar com essa disfunção e dar-lhe a volta". Mas, se essa pessoa estiver com um robô, "terá a oportunidade de se envolver sexualmente sem essa ansiedade. Teoricamente, isso poderia ajudá-lo a aprender a estar com o seu corpo de uma forma diferente", diz.

"E porque não em lares de idosos?", lança a psicóloga para logo depois responder: "provavelmente já ouviu falar de alguém com demência numa casa de repouso que entrou nos aposentos de outras pessoas e criou um alvoroço! Bom, estes robôs também podem ser usados nesses locais."

Ainda mais polémica é a hipótese de estes robôs poderem vir a ser usados por pedófilos.

Robôs com a aparência de crianças, entenda-se.

"Há argumentos fortes de ambos os lados", garante Marianne Brandon. A psicóloga afirma que o ponto passa por perceber que efeitos estas máquinas terão nos predadores sexuais de menores. "Dar-se a um pedófilo um robô sexual com aspeto de criança vai diminuir as hipóteses de ele atacar uma criança? Ou isso até vai aumentar o seu desejo? Nós não sabemos. Não há investigação científica sobre isso".

E assim, enquanto há tempo, diz a psicóloga há que escrever leis. "Há aspetos relacionados com os robôs sexuais que estão a gritar por regulamentação. Um tem a ver com os menores terem acesso a robôs. É um tipo de preocupação amplificada em relação àquela que temos sobre os menores e o acesso à pornografia".

Mas nem tudo depende das leis. Há uma questão cultural que tem de ser acautelada diz a psicóloga que "mesmo que demore 50 anos, precisamos estar preparados. Precisamos de pensar nisto a sério e, à medida que melhoramos a tecnologia sexual, devemos lançar um apelo para que todos nos liguemos à nossa humanidade. Às nossas relações uns com os outros. À nossa forma de fazer amor".

"De outra forma", garante Marianne Brandon, "a tecnologia, na nossa intimidade, pode ficar fora de controlo".

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