Telescópio James Webb "vai dar-nos uma visão das 'galáxias bebés' do Universo"

O astrónomo Miguel Gonçalves realça que a tecnologia empregue pelo novo telescópio permite observar o Universo "nos seus tempos mais primordiais". E tudo com as cores "deslumbrantes" a que o Hubble nos habituou.

É o início de uma nova era para a forma como a Humanidade vê o Universo. O lançamento, neste dia de Natal, do telescópio James Webb marca um avanço científico que vai permitir aos cientistas olhar para os "tempos mais primordiais" do Universo e, por exemplo, ver "galáxias-bebés" quando, até aqui, apenas era possível olhar para "galáxias-criança".

A explicação é dada à TSF pelo astrónomo e comunicador de Ciência Miguel Gonçalves. O telescópio Hubble captou, até aqui, imagens como os humanos as vêem, mas o James Webb vê e capta imagens em infravermelhos, uma notícia que, para quem estuda o cosmos, só pode ser boa.

O novo telescópio "tem uma capacidade tecnológica inacreditável, vai ser 100 vezes mais nítido do que o próprio Hubble", assinala o astrónomo. Os infravermelhos "permitem entrar em regiões que estão repletas de poeira, por exemplo, para chegar a regiões muito mais distantes no Espaço". E neste caso, mais distante, também significa que, "graças ao James Webb, vamos conseguir ver o Universo nos seus tempos mais primordiais".

O exemplo é fácil de perceber nas palavras de Miguel Gonçalves: "Se o Hubble nos mostrou aquilo que eram as 'galáxias criança' do Universo, o Webb vai dar-nos uma visão das 'galáxias bebés' do Universo." E tal é "fundamental para também percebermos a própria evolução do Universo".

E que mais pode revelar este novo telescópio? Talvez novos dados sobre uma questão para a qual os astrónomos ainda não têm resposta: de que é feito o Universo?

Tem "dois grandes constituintes: por um lado, a energia escura e, por outro, a matéria escura." Juntas, correspondem a "95% da constituição do Universo".

"Com total sinceridade científica, os astrónomos ainda não conseguem dizer, ou identificar exatamente, quais são os seus constituintes", mas o Webb pode agora ter um papel "fundamental" para o saber.

E como ficamos nós que, aqui na Terra, olhamos para as imagens e cores que o Hubble nos mostra? "Vamos continuar a vê-las" e vão continuar a ser coloridas, garante Miguel Gonçalves.

Ainda assim, "é sempre importante vermos as legendas das imagens que são fornecidas pelas agências espaciais, porque elas explicam precisamente qual é o código de cores que foi atribuído para explicar aquilo". Nas imagens "deslumbrantes" fornecidas pelo Hubble, "cada cor corresponde, geralmente, a elementos químicos diferentes".

Agora, com o Webb, "vamos continuar a ter imagens deslumbrantes", mas que precisam de "maior compreensão e explicação do ponto de vista científico". Ainda assim, "vamos continuar a ter imagens absolutamente deslumbrantes". Palavra de astrónomo.

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