"Vamos ver o 5G tornar-se o 6G"

Brad Smith defendeu que "precisamos que os Governos se mexam depressa" e que pensem no "interesse público" primeiro, criando parcerias com as empresas que melhor sirvam a população.

O presidente da Microsoft acredita que, na próxima década, "vamos ver o 5G tornar-se o 6G", ou seja, os "computadores vão tornar-se ambiente" e estar tão presentes na sociedade como a "eletricidade". Brad Smith esteve esta quarta-feira no palco principal da Web Summit e considerou que quando os historiadores olharem para a próxima década verão quatro aspetos fundamentais "o poder de computação, a Nuvem (cloud), Dados e a Inteligência artificial".

Brad Smith acredita que é fundamental que a tecnologia avance, mas sem pôr em causa "valores que são vitais como os direitos humanos" e explica que vivemos numa "era da ansiedade" em que "estamos focados nos sintomas e não nas soluções".

"Nas próximas três décadas a Inteligência Artificial vai ter um papel crucial na economia", sublinhou Brad Smith comparando esta evolução com as mudanças no mundo aquando do surgimento do motor de combustão.

"Cada nova tecnologia tem este efeito de ondas que tem impacto em todas as partes da sociedade. Agora não temos um telescópio ou a imprensa, temos a Inteligência Artificial", adiantou.

"Não devemos perguntar o que os computadores conseguem fazer, temos de perguntar o que eles devem fazer", continuou, adiantando que, no futuro, "as máquinas vão ter de tomar decisões que os humanos não conseguem tomar".

Tendo em conta o impacto das empresas na sociedade, Brad Smith defendeu que "precisamos que os Governos se mexam depressa" e que pensem no "interesse público" primeiro, criando parcerias com as empresas que melhor sirvam a população.

Brad Smith lembrou que ainda há desigualdade no acesso à tecnologia e que é fundamental "conectar" toda a gente. Por exemplo, na Irlanda, onde nasceu a Web Summit, há mais de um milhão de pessoas sem Internet, refere.

O presidente da Microsoft disse que é preciso "parar de deixar as pessoas para trás", ao passo que a tecnologia evolui, e que esse avanço tem de respeitar direitos humanos fundamentais, como a privacidade.

"Precisamos de parar de deixar as pessoas para trás", reiterou o líder da gigante tecnológica. "É neste aspeto que a tecnologia é uma grande ferramenta: ajudando as pessoas a evoluir", acrescentou.

Para Brad Smith, as tecnológicas têm de se preocupar com os desafios que têm pela frente nos próximos anos (dando o exemplo do desenvolvimento da Inteligência Artificial e das questões de armazenamento de dados), mas também devem mostrar que estão comprometidas em usar a tecnologia para ajudar a resolver os problemas prementes do mundo.

Enaltecendo as vantagens que o desenvolvimento tecnológico tem trazido às sociedades, Brad Smith considerou, no entanto, que qualquer ferramenta "poderosa" pode ser usada como uma "arma".

Numa alusão ao filme "2001: Uma Odisseia no Espaço", de Stanley Kubrick, lançado em 1968, o presidente da Microsoft defendeu que as pessoas foram educadas para encarar a Inteligência Artificial (IA) como uma ameaça, devido ao seguinte argumento várias vezes repetido: os seres humanos criam as máquinas, ensinam-nas a pensar e elas começam a escravizar os criadores.

"Nós [na Microsoft] estamos focados nas questões éticas inerentes ao avanço da IA", afirmou Brad Smith, defendendo que as máquinas vão de facto "tomar decisões que anteriormente eram tomadas por pessoas".

"É preciso darmos um passo atrás e reconhecer que precisamos de uma abordagem fundamentalmente diferente para tratar os problemas que a tecnologia está a criar à sociedade", disse.

O presidente da Microsoft aplaudiu, por fim, o trabalho de Nick Wise (da Ocean Mind) para proteger os oceanos através da utilização de dados e inteligência artificial.

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