Telefonema revelado. Como Dilma deu proteção a Lula - ouça

Tribunal tornou pública uma conversa, desta 4ª-feira, em que a Dilma diz a Lula que vai enviar um documento que lhe dá imunidade, mas que só deve usado "em caso de necessidade". Ouça a conversa.

São declarações divulgadas pela televisão Globo.

O telefonema entre Lula e Dilma

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A comunicação social brasileira está a divulgar a gravação de uma chamada telefónica feita esta tarde, era uma e meia em Brasília, em que os intervenientes são Dilma Roussef e Lula da Silva.

O registo foi tornado publico com a autorização do juiz federal que conduz a investigação lava jato. Na conversa, a Presidente informa o futuro ministro - que só deverá tomar posse no início da próxima semana - que lhe vai enviar já o documento de investidura. Um documento que garante imunidade a Lula, mas que só deverá ser assinado "em caso de necessidade", diz a Presidente no telefonema.

É a mensagem transmitida por Dilma depois de Lula atender a chamada. A gravação começa com os assessores e pelo meio há um breve interlúdio musical. Ao estilo bossa nova.

Eis a transcrição da conversa:

- Dilma: Alô
- Lula: Alô
- Dilma: Lula, deixa eu te falar uma coisa.
- Lula: Fala, querida. Ahn
- Dilma: Seguinte, eu tô mandando o 'Bessias' junto com o papel pra gente ter ele, e só usa em caso de necessidade, que é o termo de posse, tá?!
- Lula: Uhum. Tá bom, tá bom.
- Dilma: Só isso, você espera aí que ele tá indo aí.
- Lula: Tá bom, eu tô aqui, fico aguardando.
- Dilma: Tá?!
- Lula: Tá bom.
- Dilma: Tchau.
- Lula: Tchau, querida.

Os investigadores da operação Lava Jato interpretam este diálogo como uma tentativa de Dilma de evitar uma eventual prisão de Lula. Se houvesse um mandado do juiz, de acordo com essa interpretação, Lula mostraria o termo de posse como ministro e, em tese ficaria livre da prisão.

Advogado de Lula reage à divulgação do telefonema

"Este ato [divulgar os áudios] está estimulando uma convulsão social e isso não é papel do judiciário", disse o advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins.

O advogado afirmou ainda que não há necessidade de quebrar o sigilo telefónico do ex-Presidente, alegando que se tratou de uma decisão arbitrária. "A arbitrariedade depende do conteúdo da conversa telefónica. Não se pode falar em obstrução da Justiça, já que o ex-Presidente não é réu", acrescentou o advogado.

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