"A luta pela democracia virá de pessoas como Marielle e do que ela representa"

Qual a figura e o acontecimento do ano 2018? A opinião de Raquel Ribeiro, jornalista do Público e professora universitária na Escócia.

A figura do ano para mim é Marielle Franco, porque engloba em si vários acontecimentos do ano (eleições no Brasil, eleição do Bolsonaro, prisão do Lula e derrota do PT, e fim da esquerda chavista na América latina com viragem populista de direita em vários países), mas sobretudo porque em tempos de discussões sobre se as "políticas identitárias" estão a engolir a esquerda, etc. etc., me parece que a luta pela democracia, a vir, virá dali - e virá de pessoas como Marielle e do que ela representa: dos pobres, dos favelados, dos negros, das lésbicas, dos sem-voz, e de uma esquerda que tem de incorporar todos no seu discurso.

O acontecimento do ano é a guerra das tarifas lançada pela administração Trump e como vai (já está a) desestabilizar aquilo que tínhamos como um equilibro não só económico, mas com consequências mais profundas para os Aliados/EU e para a paz (bélica, per se, mas sobretudo paz social, cujas fissuras no próximo ano se vão aprofundar - e como os populismos vão cavalgar essa perda de privilégio dos "condenados"/esquecidos da globalização.

Académicos da área das relações internacionais, eurodeputados, jornalistas experientes em matéria de política internacional, correspondentes no estrangeiro e diretores de órgãos de comunicação social votaram na figura e acontecimento do ano.

Leia ainda as escolhas e opiniões dos membros do Painel TSF .

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