Amnistia Internacional preocupada com golpe de estado e prisão de pessoas

A Amnistia Internacional (AI) manifestou hoje preocupação com o golpe de estado em curso na Guiné-Bissau e pediu aos militares que libertem os dirigentes políticos e todas as pessoas que foram detidas na capital desde quinta-feira à noite.

Em comunicado, a AI refere nomeadamente os casos do presidente interino, Raimundo Pereira, e do primeiro-ministro e candidato presidencial, Carlos Gomes Júnior, além do jornalista António Aly Silva, adiantando ainda que «alguns membros da sociedade civil tiveram de se esconder».

«Os relatos oriundos de Bissau são preocupantes, mas a instabilidade reina no país há algum tempo devido à violenta impunidade e à falta de progressos nas investigações dos assassínios de figuras políticas e militares desde 2009», refere, no comunicado, Erwin van der Borght, diretor do Programa para África, da Amnistia Internacional.

Para que a Guiné-Bissau recupere a estabilidade e evolua para um Estado de direito, defende o mesmo dirigente da AI, é necessário resolver as questões relacionadas com os direitos humanos, incluindo a liberdade de expressão, a falta de responsabilização pela violação destes direitos e assegurar a reparação pelos abusos cometidos.

A Amnistia Internacional declara-se também preocupada com a segurança de líderes de Organizações Não-Governamentais (ONG) na Guiné-Bissau, alguns dos quais receberam nos últimos tempos ameaças de morte, anónimas, via telefone.

«Apelamos aos militares para que respeitem os direitos humanos, cessem as detenções ilegais de jornalistas e de políticos, revelem quantas pessoas foram detidas e tornem público o seu paradeiro e as condições de detenção», conclui o comunicado da AI, destacando que «os detidos não podem ser vítimas de tortura ou outros maus-tratos e devem ter acesso aos cuidados médicos de que necessitem».

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