António Indjai ameaçou atacar tropas angolanas estacionadas em Bissau

Cabo Verde estava a par desde o dia 5 deste mês da possibilidade de, em breve, eclodir uma nova crise político-militar na Guiné-Bissau, depois do chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, António Indjai, ter ameaçado, nesse dia, atacar as tropas angolanas em Bissau.

A informação foi avançada este sábado pela agência noticiosa cabo-verdiana Inforpress, que cita um relatório das Forças Armadas de Cabo Verde, a que teve acesso, sobre a reunião de emergência da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), realizada nesse dia em Abidjan.

Na reunião ( dia 5 de abril) esteve também o representante residente da União Europeia (UE) na Costa do Marfim, enquanto Cabo Verde participou com o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, coronel Alberto Fernandes, acompanhado por mais duas altas patentes cabo-verdianas.

O documento relata a preocupação relativa à presença de militares angolanos na Guiné-Bissau manifestada nessa reunião pelo chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA) guineenses, António Indjai.

A reunião, em que participaram os CEMGFA ou seus representantes dos países da CEDEAO, exceto do Mali e da Serra Leoa, fora convocada, entre outras questões, para debater a segurança do processo eleitoral na Guiné-Bissau.

Citado no documento, António Indjai, que o Comando Militar revoltoso disse ter detido na sexta-feira à noite, referiu que as forças angolanas estacionadas na Guiné-Bissau possuíam armamento pesado, indicando a presença de 14 tanques de guerra e de outros tantos jipes com metralhadoras pesadas.

Segundo o relato do documento militar, Indjai, cuja detenção foi considerada hoje «uma farsa» pelo chefe da diplomacia guineense, Mamadu Djaló Pires, manifestou o descontentamento pela situação criada, referindo que no país existiam dois exércitos, tendo ainda questionado o interesse de Bissau em manter duas forças no território.

O documento indica também que Indjai, já acusado por Angola de ser o responsável pelo golpe de Estado, chegou a ameaçar «atacar as tropas angolanas» caso encontrasse o armamento em causa assim que regressasse a Bissau.

Indjai defendeu na ocasião que a Força em Alerta da CEDEAO deveria preparar-se para ir não só ao Mali, país que também foi alvo de um golpe de Estado, mas também à Guiné-Bissau, acrescenta-se no documento.

Na quinta-feira à noite, um grupo de militares guineenses atacou a residência do primeiro-ministro e candidato presidencial, Carlos Gomes Júnior, e ocupou vários pontos estratégicos da capital da Guiné-Bissau.

A ação foi justificada na sexta-feira por um auto-denominado Comando Militar, cuja composição se desconhece, visando defender as Forças Armadas de uma alegada agressão de militares angolanos, que teria sido autorizada pelos chefes do Estado interino, Raimundo Pereira, e do Governo, Carlos Gomes Júnior, entretanto detidos pelos militares, que garantiram a segurança de ambos

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