Guiné-Bissau: PR condena «veementemente golpe de Estado»

Cavaco Silva condenou «veementemente» o golpe de Estado na Guiné-Bissau, na quinta-feira à noite, e apelou a uma posição «firme e determinada» da comunidade internacional.

«Portugal condena veementemente o golpe de Estado da Guiné Bissau da noite passada», afirmou Cavaco Silva, à margem de uma visita ao Palácio Nacional de Mafra, onde acompanhou o seu homólogo austríaco, no final de uma visita oficial a Portugal.

Para o chefe de Estado, «há muito tempo que é evidente que se a comunidade internacional não tomar uma posição firme e determinada, as forças militares guineenses serão fonte de violência».

«Portugal está a tomar o papel que lhe compete mas é preciso que a comunidade internacional não deixe de olhar para a situação dramática do povo guineense», disse.

Um autodenominado Comando Militar, cuja composição se desconhece, divulgou hoje um comunicado em que afirma que a intervenção armada de quinta-feira na Guiné-Bissau visou defender as Forças Armadas de uma alegada agressão de militares angolanos em Bissau, que teria sido autorizada pelo Presidente guineense interino, Raimundo Pereira, e pelo primeiro-ministro e candidato presidencial, Carlos Gomes Júnior.

Hoje de manhã, a calma regressou a Bissau e a rádio pública voltou a emitir. A mulher do primeiro-ministro disse que ele foi preso e levado na quinta-feira para local desconhecido, após um ataque à sua residência, ignorando-se o paradeiro de Raimundo Pereira.

A intervenção militar envolveu utilização de armas pesadas poucas horas antes do início da campanha para a segunda volta das eleições presidenciais de 29 de abril, alvo de boicote de Kumba Ialá, que perdeu na primeira votação para Carlos Gomes Júnior.

Numa primeira reação na passada madrugada, o Governo disse que acompanha a situação na Guiné-Bissau com preocupação e fez hoje um «veemente» apelo ao fim de todos os atos de violência. O comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros apela ao respeito pela legalidade, referindo que as informações sobre a situação na capital «são ainda incertas».

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