Angola

Jornal de Angola volta a atacar «elites portuguesas ignorantes e corruptas»

O Jornal de Angola mantém hoje o tom dos últimos dias e volta hoje a atacar, desta vez em editorial, as «elites portugueses ignorantes e corruptas», exigindo reciprocidade de tratamento.

Sob o título «Reciprocidade», o editorial do único diário de Angola, acusa as elites portuguesas de «teimarem em não reconhecer» a representatividade de José Eduardo dos Santos e do partido no poder desde a independência, Movimento Popular de Libertação em Angola (MPLA).

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«No último ato eleitoral, o primeiro na vigência da nova Constituição da República, o partido da maioria e o Presidente José Eduardo dos Santos tiveram mais de 72% dos votos do eleitorado. Ganharam em todos os círculos eleitorais provinciais e têm na Assembleia Nacional uma maioria qualificada», destaca o editorial.

Por não reconhecerem este quadro, o Jornal de Angola conclui que as «elites portuguesas» adotam «posições nada lúcidas e pouco inteligentes» sobre a realidade angolana.

«Nos dias de desespero os dominadores da máquina mediática portuguesa sobem de tom e recorrem ao insulto reles e grosseiro contra os dirigentes angolanos eleitos pelo povo», continua o editorial.

O Jornal de Angola conclui ainda que José Eduardo dos Santos e o MPLA têm «um fortíssimo e inegável apoio popular e isto não agrada a Portugal».

«Para iludir essa realidade, a comunicação social portuguesa, dominada pelas elites portuguesas corruptas e ignorantes, incluindo órgãos públicos como a RTP e a RDP, quando se referem a Angola falam do 'regime de José Eduardo dos Santos' como falam do 'regime de Assad', do 'regime do Irão' ou do 'regime da Coreia do Norte' e do 'ditador Mugabe'. É o ataque gratuito e desqualificado, mas mesmo assim, inadmissível vindo de um país amigo», sustenta o Jornal de Angola.

E questiona: «O que diriam se falássemos de Portugal como o 'regime de Cavaco Silva', o 'regime de Passos Coelho', o 'regime de Paulo Portas'. Alguém gostaria? Tudo na vida tem limites, até a falta de educação e de vergonha».

Na parte final do editorial de hoje, o Jornal de Angola recorda que os angolanos recebem de «braços abertos e fraternalmente» dezenas de milhares de cidadãos portugueses e prossegue, considerando ser «altura de começarmos a exigir reciprocidade».

«Não temos que considerar e respeitar quem nos destrata, desonra e injuria os nossos cidadãos e representantes políticos (...) É altura de dizer basta. A Bandeira, o Hino Nacional e o Presidente da República de Angola são os símbolos da nossa pátria. Não podemos admitir que em Portugal, políticos e jornalistas, intelectuais com ideias submersas em ódios recalcados não respeitem os nossos símbolos nacionais e desonrem os titulares dos nossos órgãos de soberania», destaca o editorial.

Partindo do princípio que os angolanos «não insultam, não caluniam, não maltratam os políticos portugueses, estejam na oposição ou no poder», porque «respeitam o Povo Português», o editorial do Jornal de Angola conclui que «o mínimo» que se pode fazer é «exigir reciprocidade».

«Se de Portugal continuam a chover insultos e calúnias, não podemos continuar pacientemente à espera que a inteligência ilumine as elites portuguesas corruptas e ignorantes. A resposta nestas circunstâncias só pode ser uma: reciprocidade», conclui.

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