May apela ao "sentido de responsabilidade" dos 27 para avançar com negociações

A imprensa britânica diz que a primeira-ministra vai sugerir que o Reino Unido contribua com 20 mil milhões de euros nos próximos dois anos para o orçamento europeu.

PorTSF
© Toby Melville/Reuters

A primeira-ministra britânica vai apelar na sexta-feira em Florença ao "sentido de responsabilidade" dos líderes europeus para avançar nas negociações para a saída do Reino Unido da União Europeia e encontrar um acordo satisfatório para ambas as partes.

"Se pudermos fazer isso, então, quando este capítulo da nossa história europeia estiver escrito, será lembrado não pelas diferenças que enfrentámos, mas pela visão que mostrámos; não pelos desafios que perdemos, mas pela criatividade que usámos para superá-los; não por um relacionamento que acabou, mas uma nova parceria que começou", vai referir Theresa May, segundo excertos revelados pelo seu gabinete.

Theresa May pretende usar o discurso em Florença para desenvolver a visão que apresentou num outro discurso que realizou em Londres em janeiro, quando revelou parte dos planos para uma "nova parceria estratégica" com a União Europeia.

Nessa altura, a chefe do Governo revelou que o Reino Unido pretendia ficar de fora do mercado único europeu após a saída da União Europeia.

Neste discurso, espera-se que sejam conhecidos mais detalhes sobre o que Londres quer ao nível de relações económicas e de segurança e a proposta de um "período limitado de implementação" do 'Brexit', que facilite a transição às empresas e cidadãos.

A imprensa britânica diz que a primeira-ministra vai sugerir que o Reino Unido contribua com 20 mil milhões de euros nos próximos dois anos para o orçamento europeu para continuar a ter acesso ao mercado único durante esse período.

A poucos dias da quarta ronda de negociações com a UE para o Brexit, que começa na segunda-feira, a chefe de Governo quer passar a mensagem junto dos líderes europeus que um acordo final satisfatório é do interesse de ambas as partes.

"Enquanto a saída do Reino Unido da UE é inevitavelmente um processo difícil, é do nosso interesse que as negociações tenham sucesso. Por isso acredito que partilhamos um profundo sentido de responsabilidade para fazer com que essa mudança aconteça de forma sensata e sem problemas, não apenas para as pessoas de hoje, mas para a próxima geração que vai herdar o mundo que vamos deixar", acrescentou.

May reiterou o que o seu ministro encarregado pelo 'Brexit', David Davis, pediu a Bruxelas: maior imaginação e criatividade na busca de soluções sobre as relações entre o Reino Unido e os restantes 27 membros após 29 de março de 2019.

A chefe do Governo britânico não tem dúvidas que "o futuro da Grã-Bretanha é promissor", pois o país continua a ter "um sistema jurídico respeitado em todo o mundo; uma forte abertura ao investimento estrangeiro; entusiasmo pela inovação; uma facilidade de fazer negócios; algumas das melhores universidades e cientistas; um talento nacional excecional para a criatividade e um espírito indomável".