Armas, insegurança e saúde: portugueses insatisfeitos nos EUA 

Em véspera de eleições intercalares para o Congresso, fomos a Newark ouvir o que pensam os portugueses do estado da política norte-americana.

"É para falar das eleições ou do Trump?" pergunta Maria das Dores. "Poder ser também do Trump?", diz Teresa. Na verdade, vínhamos falar das eleições para o Congresso, mas falar de política sem falar do Presidente é praticamente impossível.

Estamos em Newark, estado de Nova Jérsia, onde vivem milhares de portugueses. No coração da cidade, na Ferry Street, há letreiros em português e bandeiras lusas a perder de vista. Entramos no café Nova Aliança e sentamo-nos à mesa com estas duas portuguesas e mais uns quantos, que ali se juntam todos os dias para pôr a conversa em dia.

"Eu gosto do Trump, os outros não sei, mas eu gosto do Trump." Teresa vive nos Estados Unidos há 30 anos, garante que é liberal mas admite que simpatiza com muitas ideias defendidas pelos republicanos. "Eu também sou imigrante, mas isto que se passa aqui não é imigração, é uma invasão."

Ao lado, Soares abana a cabeça e dá-lhe razão. "Neste momento a segurança aqui em Newark está a ficar um bocadinho apertada, muita gente a ficar sem trabalho e eles viram-se aí a roubar", palavra de democrata.

De repente, a conversa ganha cor e sobe de tom porque falar de segurança toca a todos. Quem cá vive diz que os assaltos são cada vez mais, à luz do dia, e que a polícia não tem mão para tudo.

Colete verde de penas, camisa de xadrez e bigode grisalho, André é o mais animado do grupo: "Em outros estados americanos ali para o sul é permitido eles andarem armados, de pistola à cintura, e o crime é mínimo. Era a melhor solução de sempre aqui para o estado de Nova Jérsia."

Mais ou menos radicais, as ideias de Donald Trump fazem sentido para muitos dos que cá vivem. A herança democrata de Barack Obama já lá vai mas ainda dá que falar. "O Obama foi um bom Presidente, não desgostei dele, mas deu muitos benefícios a quem nem tinha direito, foi tudo à caça de votos."

Teresa interrompe para dizer que o Obamacare foi bom para quem foge ao fisco e não paga impostos. "Eu tenho o seguro da Medicare, mas ainda são cento e tal dólares, agora tive de comprar um seguro um suplemento que me custa 200 dólares, mais um seguro para medicamentos que são 86 dólares por mês, agora ainda tenho de comprar o dos dentes e o dos olhos."

Para quem quer continuar em Newark também faltam soluções para o futuro, que nenhum partido soube ainda resolver. Muitos destes portugueses gostavam de ter um centro de dia para idosos e mais atividades para dinamizar a comunidade imigrante. Sem soluções, é nos cafés que se encontram para conviver. Por aqui, no Nova Aliança, há futebol americano na televisão e pastéis de nata na montra.

*A TSF nas Eleições Intercalares dos EUA com o apoio da FLAD - Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de