Bem-vindos a 1398. O Irão celebra, a partir de hoje, o Ano Novo

O ano novo está relacionado com a história persa e celebra-se no dia da chegada da primavera.

"Nowruz" significa "Novo Dia" e é a maior celebração no Irão. O novo ano começa no exato momento astronómico em que se inicia a primavera. A esse segundo de mudança chamam "Saal Tahvil", as características únicas que os iranianos lhe imprimiram remontam há pelo menos três mil anos e estão profundamente enraizadas nos rituais e tradições do zoroastrismo (antiga religião persa fundada no século VI antes de Cristo). As festividades duram 2 semanas e são marcadas pelo convívio, pelo fortalecimento dos laços familiares e pelos reencontros com velhos amigos.

Para além do Irão, o "Nowruz" é festejado também por algumas populações no Afeganistão, Azerbaijão, Índia, Iraque, Quirguistão, Cazaquistão, Paquistão, Tajiquistão, Turquia, Turquemenistão e Uzbequistão. Esta é uma celebração que ultrapassa fronteiras terrestres e religiosas.

A data está associada a uma série de tradições, entre elas a lenda de Jamshid, um rei da mitologia persa. Segundo a lenda, Jamshid derrotou os demónios tornando-se o dono de tudo menos dos céus. Para lá chegar, o rei ordenou que fosse construído um trono com todas as riquezas que tinha capturado. Depois, sentou-se no trono e exigiu aos demónios que o levassem ao céu. Quando os raios de sol atingiram o trono, o céu inundou-se de cores e as pessoas ficaram tão estupefactas com o poder do monarca que começaram a celebrar a data.

Nos dias que precedem a mudança de ano, os iranianos multiplicam-se em preparativos. Primeiro é preciso fazer uma limpeza geral da casa e comprar roupas novas com as quais assinalar a entrada no ano novo. Depois é preciso montar o "Haft Seen", sete ingredientes colocados em cima de uma mesa. Nos tempos antigos, cada um dos itens correspondia a uma característica; atualmente os produtos variam de mesa para mesa, mas na língua persa os sete ingredientes começam pela letra S. São eles a maçã (seeb), símbolo de saúde; lentilhas (sabze), sinal do renascimento; vinagre (serke), reconhecimento para a idade; pasta de trigo (samanoo), associado ao poder e coragem; bagas (senjed), simbolizando o amor; moeda (sekke), que aponta para a prosperidade; alho (seer), para a inspiração. Por vezes o vinagre é substituído por uma especiaria, sumak, que aponta para a paciência e tolerância.

Há ainda outros itens que podem ser colocados no "Haft-Seen" e que servem de decoração, como um aquário com um peixe-dourado, flores, velas, espelhos (introspeção) e ovos pintados (fertilidade). Muitas pessoas costumam também colocar na mesa o Corão para abençoar o ano novo, mas são cada vez mais as que preferem "O livro dos reis", de Ferdowsi, considerado um dos maiores poetas de língua persa, porque acreditam que esta obra revela os verdadeiros valores iranianos e é adequado a uma celebração tão antiga.

Tradicionalmente, na noite da passagem de ano, o jantar é composto por peixe frito ou fumado, acompanhado por arroz e legumes frescos. Na mesa estão ainda disponíveis ovos cozidos ou estrelados. À hora certa, os iranianos cumprimentam-se, oferecem dinheiro uns aos outros e as crianças podem ainda receber doces ou frutos secos.

Em toda esta época festiva, o 13º dia do novo ano é o mais apreciado pelos iranianos. É quase obrigatório passar o "Sizdah Bedar" ao ar livre, no meio da natureza, onde as famílias fazem piqueniques. Para os iranianos o número 13 é um mau presságio e por isso vão para os parques e campos para evitarem os infortúnios. Há ainda a convicção de que, neste dia, as raparigas que queiram casar devem atar-se com várias folhas. Os nós simbolizam o vínculo matrimonial.

Em 2009, as Nações Unidas reconheceram a importância destas tradições inscrevendo o "Nowruz" como Património Imaterial da Humanidade. Um ano depois, a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou o dia 21 de março como o dia internacional do "Nowruz".

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