Boeing já mudou o 737 MAX, apesar de insistir que o avião não tem problemas

A Boeing apresentou nas últimas horas uma alteração do software e do treino para pilotos do 737 MAX. A companhia americana tenta ultrapassar os problemas existentes no projeto original que terão estado na origem dos dois recentes acidentes.

Os responsáveis da Boeing continuam a garantir que não encontram nada de errado no avião, mas para tentarem reconquistar a confiança pública fizeram algumas mudanças e realizaram uma sessão de simulações.

Na fábrica da empresa, onde o avião é montado, pilotos da Boeing testaram vários cenários num simulador de voo. Os testes foram transmitidos ao vivo para uma sala de conferências, onde cerca de 200 pilotos de companhias aéreas internacionais estavam reunidos. Mike Sinnett, vice-presidente de estratégia de produto da Boeing, explicou à CNN que os convidados puderam solicitar diversas simulações.

Depois da sessão, Sinnet garantiu que "o rigor no design e nos testes dá-nos total confiança de que as mudanças que estamos a fazer vão resolver qualquer problema que tenha causado os acidentes".

Para já sabe-se que os 737 MAX vão ter, como padrão, um sistema de alerta, que até agora era opcional. Este sistema não existia nos aparelhos da Lion Air e da Ethiopian Airlines que se despenharam recentemente. O alerta chama a atenção dos pilotos para situações em que os sensores produzem leituras contraditórias.

A Boeing fez também um upgrade ao sistema de Aumento de Características de Manobra (conhecido pelas iniciais inglesas - MCAS), um novo sistema automático de estabilização criado para corrigir a posição do nariz do avião. No caso da queda do aparelho da Lion Air, na Indonésia, o MCAS estava a receber leituras incorretas do sensor e a tripulação não conseguiu desligá-lo.

Agora a construtora redesenhou o software para desativar o sistema se ele receber dados contraditórios e acrescentou um sensor para que os dados sejam mais rigorosos. O software também foi alterado para que, no caso de uma leitura anormal, não force o aparelho a descer.

Apesar das modificações, a empresa, que está a ser investigada pelo Departamento de Justiça norte-americano, diz que realizou várias auditorias completas desde o acidente da Lion Air, em outubro, e não encontrou nada de preocupante. A Boeing acrescenta que "estas revisões continuam, e vão realizar-se por algum tempo, mas não há nada que tenhamos detetado neste momento".

Depois de feitas as atualizações, o que demora cerca de uma hora, os pilotos vão ter de submeter-se a um treino mais rigoroso nos simuladores para poderem voar no avião.

Não se sabe ainda quando é que o 737 MAX da Boeing recebe luz verde para voltar aos céus.

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