Bolsonaro e eleições no Brasil são a figura e o acontecimento internacionais do ano

Jair Bolsonaro à frente da também brasileira Marielle Franco, de João Lourenço, Xi Jinping e Denis Mukwege, é a figura internacional do ano para o painel, com mais de quarenta especialistas, que acabou por eleger igualmente as eleições brasileiras como o acontecimento internacional de 2018.

Fossem as crianças o que de mais importante há no mundo ou na vida de quem no mundo decide, e não seria a primeira-ministra neozelandesa escolha para personalidade do ano apenas da investigadora Eunice Goes , da Universidade de Richmond, no Reino Unido: "mostrou que há uma outra maneira de fazer política (mais humana, generosa, positiva) e que a maternidade não é obstáculo a exercer um cargo importante. As imagens de Ardern nas Nações Unidas com a sua bebé de meses são uma verdadeira inspiração."

A votação corresponde às escolhas de um painel que reúne académicos da área das relações internacionais, eurodeputados, jornalistas experientes em matéria de política internacional, correspondentes no estrangeiro e diretores de órgãos de comunicação social.

Num mundo que assistiu ao crescimento dos movimentos populistas (escolha de Domingos Andrade, diretor do Jornal de Notícias e de Felipe Pathé Duarte, analista e professor universitário, para acontecimento internacional de 2018), Jair Bolsonaro foi a escolha de sete dos participantes no painel para figura internacional do ano.

A professora da Universidade Nova de Lisboa, Diana Soller, afirma que Bolsonaro "ganhou as eleições no Brasil com um programa profundamente antidemocrático, capitalizando a fraqueza de Haddad (Lula teria ganho as eleições segundo todas as sondagens) e mobilizando uma nova fatia da opinião pública, os evangélicos, em expansão na América do Sul. Também porque representa de uma forma contundente o retrocesso democrático que temos vindo a assistir nos últimos anos em todo o mundo."

O autor de livros sobre política norte-americana, Germano Almeida , escolheu o Presidente eleito brasileiro porque "ao contrário de Trump - que teve menos votos que a adversária e fundou o seu triunfo inesperado na mobilização de eleitorados muito específicos, nunca conseguindo ser um líder abrangente - Bolsonaro apanhou todos: ricos, pobres; homens, mulheres; habitantes do litoral e do interior; rurais ou moradores nas megalópoles carioca e paulista." Visto com desdém e descrédito por quase todo o sistema político brasileiro até há muito pouco tempo, Bolsonaro "partiu de baixo mas foi capitalizando cada escândalo, cada erro, cada desgaste dos políticos do PT, sobretudo, mas também do PSDB e das restantes forças políticas do centro-esquerda, esquerda e centro-direita. A facada que levou nos primeiros dias da campanha para o primeiro turno - em episódio com contornos ainda por esclarecer - foi o golpe de teatro de que precisava para fazer jus ao seu nome do meio: para milhões de brasileiros, passou a ser o Messias que surgiu como última virgem de um sistema corrompido e imoral."

Para o correspondente da TSF no Brasil, João Almeida Moreira , "depois de em setembro ser vítima de uma facada, em outubro ganhou mesmo as eleições. E assim, por causa da tal facada, da força das redes sociais (incluindo uma teia de fake news oleada ao longo de anos), do desgaste do PT e restantes partidos do arco do poder, da onda de fenómenos internacionais semelhantes, Trump acima de todos, e do poder evangélico-puritano crescente no país, o apagado deputado de décadas é o novo inquilino do Alvorada e do Planalto."

O historiador e investigador da Universidade Nova de Lisboa, Pedro Aires de Oliveira , afirma que "talvez Jair Bolsonaro tenha conseguido superar tudo o que tínhamos presenciado nos últimos anos no tocante a poses e afirmações políticas escandalosas. As causas profundas da sua vitória demorarão ainda algum tempo a ser esclarecidas, mas ela é mais uma lição amarga para as forças progressistas pelo mundo fora. A esquerda precisa de reencontrar a sua vocação universalista, republicana e "popular", e evitar que uma parte tão significativa dos eleitorados continue a atribuir credibilidade a figuras tão obviamente estranhas a quaisquer noções de bem comum, como são Bolsonaro e outras personagens da movida populista."

O diretor do Jornal de Notícias Domingos Andrade escolheu Bolsonaro porque "encarna aquilo que aparenta ser o recrudescimento de movimentos populistas que na Europa é muito evidente e já não estamos a falar na Itália, na Hungria, República Checa; já estamos a falar muito de países do norte da Europa como Alemanha, Suécia ou até aqui na vizinha Andaluzia", salienta.

Jair Messias Bolsonaro foi também a escolha de Igor Lopes, brasileiro, jornalista do Mundo Lusíada e de Patrícia Viegas, editora de internacional do Diário de Notícias. No painel em que participaram mais de 40 pessoas com trabalho e experiência em diversas áreas da política internacional, o Presidente chinês Xi-Jinping, a vereadora brasileira assassinada Marielle Franco, o médico congolês e Nobel da Paz, Denis Mukwege (laureado em Oslo juntamente com a ativista de direitos humanos yazidi, Nadia Murad), e o Presidente angolano João Lourenço, obtiveram três votos cada.

Sobre o sucessor de José Eduardo dos Santos, a diretora da agência de notícias Lusa, Luísa Meireles, destaca "a esperança que por enquanto nos traz". Lourenço foi também a escolha do investigador Raúl Braga Pires e da professora Teresa Cravo, do Centro de Estudos Sociais (CES) da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC).

Marielle Franco é destacada em 2018 por Ana Lúcia Sá do Centro de Estudos Internacionais do ISCTE, Raquel Ribeiro , escritora e jornalista do Público a residir no Reino Unido ("em tempos de discussões sobre se as "políticas identitárias" estão a engolir a esquerda, etc. etc., parece-me que a luta pela democracia, a vir, virá dali - e virá de pessoas como Marielle e do que ela representa: dos pobres, dos favelados, dos negros, das lésbicas, dos sem voz, e de uma esquerda que tem de incorporar todos no seu discurso") e por Daniela Nascimento , professora e também investigadora do CES da FEUC, que justifica assim a escolha: "pelo exemplo que deixou da luta contra a opressão, injustiça e desigualdade num Brasil a atravessar uma profunda crise - também de identidade - e pelo facto de ter deixado um legado extraordinário não apenas no Brasil mas em todo o mundo em matéria de luta pelo reconhecimento de direitos, liberdades e garantias de todos e de todas, independentemente do sexo, cor ou identidade sexual."

O Presidente chinês é figura do ano 2018 para o diretor-geral de conteúdos da Global Média Group e ex-diretor do Jornal de Notícias, Afonso Camões, o investigador doutorando do Instituto de Ciências Sociais Felipe Leal Albuquerque e o investigador do IPRI, José Pedro Teixeira Fernandes (com artigo recente em https://www.publico.pt/2018/12/20/mundo/noticia/guerra-meios-euachina-ano-i-1855463). Camões destaca na figura de Xi Jinping o "rosto da abertura dos mercados e da globalização. Depois de Deng, ele representa o maior salto sobre a Grande Muralha e a abertura de novas rotas da seda em diferentes continentes". Albuquerque justifica a opção "pela lenta transição que assistimos rumo à Ásia; por ter-se mostrado como um contrapeso aos Estados Unidos de Trump; pelas consequências da "guerra comercial", cujas negociações foram adiadas para fevereiro; pelas reformas económicas em curso na China e que impactam o mundo; pela ocupação de espaços deixados por Estados Unidos e Europa na América Latina, África, Ásia e também na Europa (como aqui em Portugal)."

O médico congolês e Nobel da Paz Denis Mukwege foi a escolha de Fernando Jorge Cardoso, do Centro de Estudos Internacionais do ISCTE e diretor-executivo do Clube de Lisboa, para quem "o que ele faz e o que ele diz é completamente inspirador". Mukwege foi também o eleito para as jornalistas Helena Ferro de Gouveia, comentadora e antiga correspondente na Alemanha, e Lígia Anjos, correspondente da TSF em França.

O painel votou duas vezes em Donald Trump, Angela Merkel, Theresa May, Jamal Khashoggi, Vladimir Putin, Christopher Wyllie (o homem que denunciou o escândalo da Cambridge e Analytica) e Steve Bannon.

Sobre o antigo conselheiro de Donald Trump, escreve o investigador Tiago Moreira de Sá que "o seu projeto político internacional nacionalista está em rápido crescimento e a ganhar eleições numa vasta geografia que vai da América do Norte à do Sul, da Europa Ocidental à de Leste. A política no chamado Ocidente está a ser dominada pelo confronto entre duas grandes ideologias / dois grandes projetos políticos: o internacionalismo liberal e o internacionalismo nacionalista. Bannon é o mais conhecido mentor do segundo e parece que os ventos sopram a seu favor".

Para o correspondente da TSF em Bruxelas, João Francisco Guerreiro, Theresa May merece a escolha, uma vez que "a sua teimosa persistência e solitária capacidade de sobrevivência, colocam-na em destaque".

Em relação ao jornalista Jamal Khashoggi, assassinado no consulado saudita em Istambul, na Turquia, foi a escolha do antigo editor de internacional da Antena1, Luís Nascimento, e do deputado do Bloco de Esquerda e professor de Relações Internacionais José Manuel Pureza, por "simbolizar a determinação do melhor do jornalismo - o conhecimento da verdade, contra tudo e contra todos - e por isso morto por quem o matou, por quem o quis matar e por quem silenciou a sua morte".

O assassinato de Khashoggi foi o Acontecimento Internacional do Ano escolhido por Pedro Aires de Oliveira e por Maria João Morais, correspondente do JN em Espanha, para quem o jornalista saudita se tornou "símbolo da perseguição ao jornalismo comprometido, que investiga, procura a verdade e que vigia o poder".

Mas para o painel reunido pela TSF, as eleições presidenciais no Brasil foram o acontecimento mais marcante do ano que agora finda (tema escolhido por sete dos participantes). Miguel Carvalho, grande repórter da revista Visão, diz que "se a eleição de Trump foi a dor de cabeça, a de Bolsonaro representa mais uma votação com os pés". Foi também a escolha de Igor Lopes e de Tiago Moreira de Sá: "a vitória de Jair Bolsonaro no Brasil e da dupla Salvini e Di Maio em Itália. Mais duas vitórias do internacionalismo nacionalista". O jornalista Igor Gielow, redator principal da Folha de São Paulo, "como brasileiro", entende que as eleições no seu país representaram "um abalo sísmico político enorme, mas o fato é que mundialmente o impacto é marginal. Nesse sentido, algo menos dramático como a sucessão da CDU alemã me parece mais importante no contexto geral. Mas foi um ano pulverizado de eventos, essa é a realidade, nada se sobressaiu especialmente". Houve um pouco de tudo, como é costume dizer-se. Como afirma a investigadora Joana Lopes , mestre em Ciência Política e Relações Internacionais, "perante um conjunto de crises e ameaças - como a crise humanitária no Iémen, o conflito da Síria, a crise migratória no Mediterrâneo, o terrorismo, o crescimento do extremismo e populismo, a situação dramática na Venezuela ou o acelerar das alterações climáticas - a comunidade internacional permaneceu incapaz de elaborar uma resposta multilateral concertada".

Ana Isabel Xavier , investigadora do CEI do ISCTE prefere destacar a reaproximação entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul: "muitos poderão considerar que os avanços não foram significativos e que tudo fica no plano simbólico, mas eu relevo desde logo a cimeira de 27 de abril, a primeira entre os dois países desde 2007 e na fronteira desmilitarizada, onde algumas posições de princípio acabaram por ter relevo na cimeira de setembro entre os dois líderes. A tensão diminuiu, mesmo que a desnuclearização ainda não seja efetiva e mesmo que muitos questionem a firme determinação de ambos na suspensão de todos os mísseis antibalísticos".

Diogo Rolo Noivo, Mestre em Segurança e Defesa pela Universidade Complutense de Madrid, prefere nomear um facto que ocorreu em Espanha, a dissolução da ETA Militar: "criada em 1959, a ETA é um caso invulgar de longevidade terrorista na Europa e erigiu-se como principal desafio político e de segurança na Espanha contemporânea. A cultura de violência instigada pela organização ao longo de décadas perdura e constitui um obstáculo à normalização política de Espanha."

Felipe Pathé Duarte, professor universitário, elegeu "o crescendo de movimentos nacionalistas e anti-establishment na Europa, traduzido na conquista de espaço político via eleições ou cavalgando em movimentos sociais", escolha compartilhada por Domingos Andrade e, por referência ao movimento dos "coletes amarelos", também por Germano Almeida e Pedro Adão e Silva.

Começou há sete anos, ainda não terminou mas, por vezes, parece andar longe dos radares. No entanto, a evolução da situação na Síria merece o destaque do eurodeputado João Ferreira , do Partido Comunista: "designadamente a resistência e avanço das forças patrióticas, face à agressão dos grupos terroristas, criados e apoiados no exterior, iniciada em 2011. A resistência e avanço das forças patrióticas permitiram a libertação de várias regiões do país, o regresso de milhares de refugiados às suas localidades e um processo negocial com vista a uma solução política, que respeite a soberania, a independência e a unidade e integridade territorial da República Árabe Síria".

A Síria e também o Afeganistão, pelo anúncio de retirada americana, são destacados pelo jornalista da Lusa, Pedro Caldeira Rodrigues : "a decisão da administração da Casa Branca sobre a retirada das tropas norte-americanas da Síria e do Afeganistão. Ainda é cedo para determinar se será o fim da 'Pax Americana', o que parece improvável. No caso da Síria, entender até que ponto a recente reaproximação entre Ancara e Washington determinou a decisão, e se a Turquia tem a oportunidade de desencadear uma ofensiva militar nas regiões curdas da Síria, onde estava presente uma força militar dos EUA, e terminar com a experiência da Federação Democrática do Norte da Síria (Rojava). No caso do Afeganistão, a comprovação de que não existe uma solução militar para um conflito onde os EUA estão diretamente envolvidos desde 2001, e mesmo que se mantenha a presença da NATO. Poderá acelerar o processo negocial com os taliban, de resto, já iniciado. E concentrar esforços na região do Pacífico, onde atualmente decorre o grande braço de ferro entre os Estados Unidos e a China, para já limitado a uma "guerra comercial" de enorme dimensão. Também deverá ser considerado um decisivo acontecimento internacional e que deverá exacerbar-se em 2019."

Luís Nascimento, por sua vez, destaca "a tragédia humana no Iémen, fome e doença, num conflito agravado pela intervenção armada ilegal e contra o Direito Internacional da "coligação" da Arábia Saudita, que bombardeia autocarros e escolas com crianças". Está também relacionado com a atuação do atual presidente dos EUA a escolha de Helena Farrand Carrapico. Para a professora da Universidade de Aston, no Reino Unido, "a política de separação familiar da administração Trump", projetou por parte dos Estados Unidos "uma imagem de potência não benevolente", desencadeando uma "importante reação a nível mundial". Pedro Cardoso, correspondente da TSF no México, destaca também "as migrações forçadas. Não são fenómeno novo, mas este ano converteram-se em verdadeiros êxodos em zonas que não estão em conflito armado. Converteram-se no tema central da campanha de Trump nas intercalares de novembro (novamente o discurso do medo contra "o outro" a fazer efeito) e são agora usados para pressionar a aprovação de uma das principais promessas de campanha do presidente norte-americano: a construção do muro na fronteira com o México. Na América Latina, os milhares de venezuelanos que se lançaram em marchas a pé para o Perú, Colômbia e Brasil, engrossam esta lista trágica".

Raquel Vaz Pinto , investigadora do IPRI-Nova, elege o caso do jornalista eslovaco Jan Kuciak que, em fevereiro, foi encontrado assassinado em sua casa juntamente com a sua noiva. A professora universitária e dirigente do CDS confessa ter tido "muitas dificuldades em escolher este jornalista em detrimento de outros. Por exemplo, a coragem extraordinária de dois jornalistas da Reuters, Wa Lone e Kyaw Soe Oo, que demonstraram a barbárie cometida sobre os Rohingya na Birmânia, e que foram detidos, "julgados" e condenados a sete anos de prisão. Fazer jornalismo de investigação em países não democráticos como a Birmânia, a Turquia, a Rússia é, na maior parte dos casos, uma sentença de morte. Mas a minha escolha de um jornalista eslovaco tem o objetivo de demonstrar que cercear e tentar quebrar jornalistas não é apenas apanágio de ditaduras. A Eslováquia é um estado-membro da União Europeia tal como Malta, onde em outubro do ano passado foi assassinada outra jornalista, Daphne Caruana Galizia. O que tinham Daphne e Jan em comum? As suas investigações sobre corrupção. E se olharmos para a Hungria verificamos o quase-controlo da imprensa levado a cabo paulatinamente por Viktor Orban e seus cúmplices. E poderíamos citar mais tristes exemplos. Em matéria de liberdade de imprensa lembro-me sempre de um dos meus heróis: Lasantha Wickramatunga, do Sri Lanka, assassinado em 2009. Um jornalista que sabendo o que o esperava depois de vários ataques preparou-se escrevendo um editorial-obituário: "Eu espero que o meu assassínio não seja visto como uma derrota da liberdade, mas como uma inspiração para aqueles que sobrevivem para redobrarem os seus esforços" ".

Bolsonaro como figura do ano, eleições brasileiras como acontecimento, mas a prisão de Lula foi também uma marca incontornável de 2018, como salienta a jornalista brasileira e investigadora em comunicação, Maria Alice Campos: "A prisão do Lula, como a representação do fim de uma era, não apenas para o Brasil, mas de todo um bloco latino-americano e de cooperação sul-sul. Também demonstra a derrocada de um Estado Democrático de Direitos, pautado num poder de interpretações jurídicas frágeis e dos media nem sempre coerentes com a imparcialidade e a verdade". Talvez seja na luta às alterações climáticas que, em nome da ciência e da verdade, mais se batalha por um mundo melhor. Daí a pertinência da escolha do investigador do ISCTE e professor na Academia Militar, Nuno Lemos Pires : "A Cimeira do Clima (23.ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas - COP23). O Mundo está em risco, há vontade de mudar por uma grande maioria, mas o caminho para reverter a ameaça existencial está longe de estar assegurado".

Todos desejamos um mundo melhor, daí esta minha opção por terminar o texto com a escolha de Rita Siza, jornalista do Público e correspondente em Bruxelas: "o resgate dos rapazes tailandeses presos dentro da gruta. Não tem o impacto de uma eleição, uma guerra ou uma trégua, mas provocou um momento de alívio, felicidade e esperança ao mundo todo - e precisamos de sentir tudo isso mais vezes, para esquecer o resto que é mau demais".

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