Bolsonaro, "o apagado deputado por décadas é o novo inquilino do Alvorada e do Planalto".

Qual a figura e o acontecimento do ano 2018? A opinião de João Almeida Moreira, correspondente da TSF no Brasil.

Figura do ano 2018: Jair Messias Bolsonaro

Depois de uma carreira apagada de quase 30 anos na Câmara dos Deputados, que só não foi mais discreta porque veio intervalada de opiniões absurdas que o tornaram notado (e admirado) por um nicho eleitoral ultra-conservador, o anúncio da sua pré-candidatura em 2015 foi comparado aos de Enéas Carneiro, o nacionalista-folclórico eterno candidato com apenas seis segundos de tempo de antena. Em meados de Abril, dada a surpreendente performance nas sondagens, passou a ser visto como novo "fenómeno Russomanno", numa alusão a Celso Russomanno, apresentador de TV que costuma liderar as sondagens na corrida à prefeitura de São Paulo e tomba para terceiro ou quarto lugares na reta final por falta de estrutura partidária.

Mesmo em agosto, só na data limite do prazo conseguiu encontrar um nome disposto a ser seu vice-presidente, Hamilton Mourão, depois das primeiras escolhas terem criado obstáculos e feito exigências talvez por no íntimo não acreditarem no fôlego da candidatura. Mas depois de em setembro ser vítima de uma facada, em Outubro ganhou mesmo as eleições. E assim, por causa da tal facada, da força das redes sociais (incluindo uma teia de fake news oleada ao longo de anos), do desgaste do PT e restantes partidos do arco do poder, da onda de fenómenos internacionais semelhantes, Trump acima de todos, e do poder evangélico-puritano crescente no país, o apagado deputado por décadas é o novo inquilino do Alvorada e do Planalto.

Acontecimento do ano 2018: eleições brasileiras

O quinto maior e mais populoso país do planeta, dono da oitava economia à escala global, não só foi a votos, o que já seria um acontecimento, como elegeu pela primeira vez desde Collor de Mello, em 1989, um candidato fora do eixo PT-PSDB. E um político marcadamente radical, à direita, meio desconhecido da maioria da população até meses antes da campanha, e sem espaço relevante nos tempos de antena televisivos, considerados por tradição o fator decisivo para se ganhar eleições no Brasil. As eleições brasileiras reúnem, portanto, a tendência global para o populismo, sobretudo de direita, ilustrada não apenas na surpreendente eleição presidencial mas também na renovação parlamentar sem precedentes, e o poder, nocivo ou não, da comunicação direta via redes sociais.

Académicos da área das relações internacionais, eurodeputados, jornalistas experientes em matéria de política internacional, correspondentes no estrangeiro e diretores de órgãos de comunicação social votaram na figura e acontecimento do ano.

Leia ainda as escolhas e opiniões dos membros do Painel TSF .

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de

Outros Artigos Recomendados