E agora Brasil? Bolsonaro e Haddad defrontam-se nas urnas dia 28

Haddad tem três semanas para reunir tropas e tentar derrotar Bolsonaro, o candidato que venceu na primeira volta. Uma tarefa difícil já que nunca, na história do Brasil, alguém conseguiu uma reviravolta semelhante.

Com 100% das urnas apuradas, já é possível confirmar que Bolsonaro e Haddad vão disputar uma segunda volta das presidenciais no Brasil, no dia 28 deste mês.

Jair Bolsonaro (Partido Social Liberal) conquistou cerca de 46% dos votos, seguido de Fernando Haddad (Partido dos Trabalhadores), com 29%. Ciro Gomes surge em terceiro lugar, com cerca de 12%.

Para vencer Jair Bolsonaro no dia 28, Fernando Haddad terá de alcançar um feito inédito na democracia brasileira . Nunca nenhum candidato que tenha partido em segundo lugar para a segunda volta conseguiu ganhar as eleições.

Em Portugal, Jair Bolsonaro conquistou 56% dos votos dos brasileiros que votaram este domingo em Lisboa ​​​​​​e 59,80% dos que votaram em Faro, segundo números junto do Consulado-Geral do Brasil em Lisboa.

A democracia está "em risco" alerta o candidato do PT que segue para a segunda volta das eleições brasileiras.

Por sua vez, Jair Bolsonado não prestou declarações aos jornalistas, mas fez uma declaração em direto no Facebook :

No Twitter, Guilherme Boulos declarou apoio a Haddad na segunda volta:

Ciro Gomes disse que se vai reunir com a direção do seu partido para decidir que candidato apoiar. Uma coisa garante: Bolsonaro? "Ele não".

Já João Doria, o candidato do PSDB ao governo de São Paulo, assegurou já o apoio a Jair Bolsonaro na segunda volta das presidenciais.

Recordes e surpresas de uma eleição histórica

Cerca de 147 milhões de pessoas foram chamadas este domingo a votar nas eleições para escolher o novo presidente do Brasil, mas também representantes no parlamento (Câmara dos Deputados e Senado) e nos governos regionais.

Em Portugal, cerca de 40 mil emigrantes brasileiros também votaram este domingo. À boca das urnas, a reportagem da TSF registou a maioria de apoio ao candidato da extrema-direita Jair Bolsonaro .

Estas são eleições que ficam para a História do Brasil e que serão certamente estudadas no futuro, considera António Flávio Testa, professor na Universidade de Brasília.

Ao telefone com a TSF a partir do Brasil, o investigador nota que o dinheiro gasto nas campanhas não se refletiu em votos. Já o uso das redes sociais pode ter tido muita influência junto dos eleitores brasileiros. Bolsonaro foi o candidato que menos dinheiro investiu na campanha, mas foi aquele que mais cedo se começou a promover nas redes sociais.

A vitória foi expressiva para muitos dos candidatos do Partido Partido Social Liberal (PSL), partido de Jair Bolosnaro.

Eduardo Bolsonaro, filho de Bolsonaro, bateu recordes. Ainda antes de todos os votos estarem contados tornou-se o deputado federal com mais votos da História do Brasil. Além de Eduardo, também outro dos filhos do candidato à presidência, Flávio Bolsonaro, foi eleito para o Senado do Rio de Janiero.

Também Janaína Paschoal, uma das autoras do pedido de impeachment da antiga presidente Dilma Roussef, foi eleita para a Assembleia Legislativa, tornando-se na candidata mais votada para todos os cargos - com 1.965.568 votos.

Também o polémico Rodrigo Amorim, candidato a deputado estadual no Rio de Janeiro pelo PSL foi eleito apesar da controvérsia que levantou depois de, durante uma ação de campanha, ter destruído a placa de homenagem a Marielle Franco , vereadora do PSOL assassinada a 14 de março.

Dilma Rousseff falhou a eleição para o Senado brasileiro. Já o humorista Tiririca foi reeleito deputado federal em São Paulo.

Vários atletas, atores e cantores concorreram nas eleições do Brasil , uns saíram-se bem, como o ator de novelas e filmes pornográficos Alexandre Frota, outros nem tanto.

Conheça os principais candidatos

Jair Bolsonaro: o ex-militar radical que "pode virar" Presidente

Fernando Haddad: de substituto a vencedor?

Ciro Gomes: De ministro de Lula a candidato que o PT isolou

Geraldo Alckmin: o político que foi médico não declara a morte da candidatura

Marina Silva: à terceira não será de vez

João Amoêdo: o criador do NOVO que corre maratonas e quer privatizar tudo

Uma campanha insólita

A votação decorreu sem incidentes de maior e foi sobretudo marcada pelas longas filas de espera. Mais de 130 pessoas foram detidas por suspeita cometerem crimes eleitorais. Entre elas um indígena que queria entregar, sozinho, o voto de todos os membros da sua aldeia .

Esta foi uma campanha marcada por casos em que a realidade chega mesmo a ultrapassar a ficção. Das piadas ao jejum, não faltaram momentos mais insólitos nem candidatos bizarros a cargos nos governos estaduais e federal, como Olga um Beijo e um Queijo, Maria Sou do Povo, Carlão Loko ou Vai Ser Rico.

Uma cela na prisão ou uma cama no hospital: o que vale mais, eleitoralmente, no Brasil? Mesmo preso, Lula da Silva escolheu Fernando Haddad como sucessor e geriu a campanha do PT. Da cama do hospital, Jair Bolsonaro subiu nas sondagens e mandou calar assessores.

Sabe porque é que há tantos candidatos na corrida? E o que é o Blocão? Leia aqui um guião com perguntas e respostas para perceber o que está em jogo este domingo.

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