Capacetes brancos pedem mais firmeza à ONU para evitar novo desastre humanitário

Os dirigentes da Defesa Civil Síria, ou os "capacetes brancos" como são conhecidos, pedem mão firme parte da Organização das Nações Unidas (ONU) para pôr fim ao conflito na Síria que já matou milhares de civis.

Em Portugal para serem homenageados pela organização do Terra Justa - Encontro Internacional de Causas e Valores da Humanidade, que começa esta quarta-feira em Fafe, os capacetes brancos são uma Organização Não Governamental (ONG), com cerca de 4000 voluntários que asseguram o resgate das vítimas e tratam de documentar cenas de guerra.

"É importantíssimo documentar o que está a acontecer na Síria para que todo o Mundo saiba e, assim, defender o direito das vítimas que tiramos debaixo dos escombros. A pessoa que fez isto terá que ser chamada à justiça e julgada", salienta Nedal Izdden, elemento da direção e um dos fundadores dos Capacetes Brancos.

Em entrevista à TSF, aquele responsável manifestou o desejo de as Nações Unidas assumirem uma "posição mais forte em relação à crise na Síria. Sabemos que o Eng. António Guterres, um homem de grandes qualidades humanas, com quem estivemos no ano passado em Lisboa, é um homem capaz de conduzir este navio das Nações Unidas para algum lado mas precisamos de mais firmeza a aplicar as decisões tomadas".

Nedal Izdden afirma-se particularmente preocupado com o que poderá vir a acontecer na cidade na região de Idlib, controlada pelos rebeldes, que se perspetiva como o próximo alvo da reação do regime sírio, após a reconquista da região de Ghouta Oriental.

"Idlib tem atualmente 5 milhões de habitantes, pessoas que viviam em áreas agora controladas pelo regime e que foram empurradas naquela direção. Agora imagine, com aquela densidade populacional, quantos mortos teremos se houve um ataque químico? Vai ser um desastre. Esperamos que não aconteça", alerta Nedal Izdden.

São frequentemente acusados nas redes sociais por fontes russas e pró-regime de Bashar al-Assad de atuarem ao lado de organizações terroristas e de encenarem os resgates para impressionar a comunidade internacional mas Nedal Izdden defende que se trata de "campanhas difamatórias" para descredibilizar a organização, garantindo que não perturbam o trabalho que diariamente é feito pelos voluntários no terreno.

"Muitos dos nossos vídeos mostram resgates de crianças de 3 ou 4 meses. Acham que os bebés são capazes de representar?", afirma aquele responsável, acrescentando que "nem precisamos de responder a essas acusações porque a ação dos investigadores no terreno responde por nós".

Mas estará essa "campanha de contra informação" a ganhar adeptos? "Os russos, de facto, têm muitos espetadores. Sabemos que a ideologia comunista ainda está na cabeça de muitas pessoas. Mas também há pessoas que acreditam em OVNIS ou que a terra é plana. Talvez sejam bem-sucedidos mas apenas entre os russos", atira Nedal Izdden.

Os Capacetes Brancos da Síria serão homenageados esta quarta-feira em Fafe no primeiro dia do Terra Justa, um encontro anual que pretende provocar e envolver os cidadãos sobre a importância das causas e valores da humanidade.

Centrado nos Direitos Humanos, o evento deste ano, que se desdobra ao longo dos quatro dias em conferências, debates e exposições, vai ainda destacar, quinta-feira, a Human Rights Whatch, o observatório para os direitos humanos.

Na sexta-feira, o Terra Justa promoverá a homenagem, a título póstumo, à antiga primeira-ministra Maria de Lurdes Pintassilgo, "uma mulher que marcou o país e que deixou um legado que merece ser sublinhado, desde logo pelo seu apego aos princípios e às causas, à vontade de ajudar os outros. Foi primeira-ministra numa época difícil, pouco tempo depois do 25 de abril, liderando um Governo curto mas marcante pelas reformas profundas que introduziu", destacou Raul Cunha, presidente da Câmara Municipal de Fafe, entidade organizadora.

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