Papa confirma decisão da Justiça e proíbe cardeal condenado por pedofilia de contactar com menores

O cardeal australiano George Pell que foi condenado pelo abuso sexual de dois menores conhece a pena esta quarta-feira. Enfrenta até 50 anos de prisão.

O Papa Francisco confirmou restrições que proíbem o cardeal George Pell, condenado por pedofilia, a contactar com menores.

Em comunicado, o Vaticano escreve que "para garantir o curso da justiça, o Santo Padre confirmou as medidas cautelares já tomadas contra o cardeal George Pell", interditando-o de exercer as suas funções na Igreja.

O porta-voz Alessandro Gisotti lembra que, por muito "doloroso" que seja este caso para muitos, Pell reafirmou sua inocência e tem o direito "de se defender até o último grau".

O cardeal George Pell, que foi até dezembro a terceira figura do Vaticano, foi considerado culpado por um tribunal australiano pelo abuso sexual de dois rapazes do coro e deve conhecer a pena na quarta-feira, adiantou a AP.

A AP lembra que este é o clérigo com o cargo mais elevado de sempre no Vaticano a ser condenado pelo abuso sexual de menores, tendo desempenhado funções de conselheiro económico do papa Francisco e de ministro da Economia do Vaticano.

O veredicto que foi dado pelo tribunal australiano em dezembro só agora foi tornado público, devido a impedimento legais, refere, por seu lado, a BBC.

A sentença do cardeal Pell será lida na quarta-feira e os seus advogados já adiantaram que irão recorrer da condenação.

Segundo a AP, o cardeal agora com 77 anos, mas com 55 no momento dos factos pelos quais foi condenado, enfrenta uma pena de prisão máxima de 50 anos.

O júri condenou o clérigo por pedofilia, considerando-o culpado de ter abusado de dois rapazes de 13 anos, que pertenciam ao coro da igreja, e que foram apanhados pelo cardeal a beber vinho sacramental numa sala nas traseiras da St. Patrick's Cathedral, em Melbourne, quando era arcebispo, tendo os abusos decorrido na sequência desse momento.

O tribunal, que apenas ouviu uma das vítimas, uma vez que a outra morreu há alguns anos, considerou provado que o cardeal forçou os rapazes a atos indecentes.

O veredicto foi dado pelo tribunal em dezembro e noticiado pela imprensa australiana, apesar das restrições impostas.

O julgamento, as acusações específicas, o testemunho e quase todos os outros detalhes envolvendo as acusações contra o cardeal de 77 anos não puderam ser divulgados por decisão do tribunal, que proibiu a imprensa australiana de noticiar.

O julgamento foi realizado perante o juiz Peter Kidd, do Tribunal de Comarca do Estado de Victoria.

Desde agosto de 2017 que o cardeal australiano, a terceira figura do Vaticano, enfrenta um processo por supostos crimes sexuais contra menores.

George Pell é o primeiro alto funcionário da cúria romana acusado em supostos crimes de pedofilia, mas sempre se declarou inocente das acusações.

Ainda em dezembro o papa afastou George Pell do seu círculo de conselheiros, assim como o cardeal Francisco Errázuriz, suspeito de encobrir atos pedófilos de um eclesiástico no Chile.

Os dois altos representantes da Igreja Católica integravam o Conselho de Cardeais, composto por nove conselheiros em representação de todos os continentes, também conhecido pela designação "C9", e cuja missão é ajudar o Papa Francisco a reformar a administração do Vaticano.

A confirmação da condenação de Pell surge dias depois de ter terminado no Vaticano uma cimeira histórica organizada a pedido do papa Francisco para abordar a questão dos abusos sexuais por membros da igreja católica.

A cimeira, que juntou responsáveis de episcopados e institutos religiosos e na qual também se ouviram testemunhos de vítimas, terminou no domingo com a apresentação de oito passos para a luta contra esses abusos.

"Nenhum abuso deve jamais ser encoberto [como era habitual no passado] e subestimado, pois a cobertura dos abusos favorece a propagação do mal e eleva o nível do escândalo", começou por referir o papa Francisco perante os 190 representantes da hierarquia religiosa e 114 presidentes ou vice-presidentes de conferências episcopais de todo o mundo que estiveram reunidos desde quinta-feira no Vaticano.

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