"Nunca se viu uma coisa assim." Ciclone Idai é "muito comparável" ao furacão Katrina

Português está na Beira a acompanhar a situação, uma "tragédia bastante grande" e que está a afetar "centenas de milhares de pessoas".

A tragédia que atingiu Moçambique pode ser comparada ao furacão Katrina, em Nova Orleães, pelo menos em termos de área. A revelação é feita por Pedro Matos, do Programa Alimentar Mundial, que está no local a coordenar a situação de emergência. "Nunca se viu coisa assim", conta.

"Estamos a montar uma operação imensa de resgate das pessoas, muitas vezes a tirar pessoas que têm água pelo pescoço para as pôr em sítios onde a água está só pelos tornozelos. Ainda não estamos na fase, sequer, de as levar para terra firme", revela o português.

O responsável acredita que quando for possível fazer "o rescaldo da tragédia" haverá "muitas centenas de milhares de pessoas afetadas por estas cheias, para não falar daquelas que foram afetadas pelo ciclone".

Quando olha para o passado, Pedro Matos faz uma comparação com o Katrina, onde morreram mais de 1800 pessoas. "Em termos de área é uma coisa comparável ao furacão Katrina, se não em população, porque esta zona é menos populosa que Nova Orleães, mas em termos de área afetada é muito comparável", revela

O coordenador de emergência do Programa Alimentar Mundial alerta para o facto de ainda não ser possível perceber a verdadeira dimensão da tragédia, já que a água está a tapar toda a zona afetada.

"Não é possível, de avião, ter uma dimensão da tragédia porque a água estende-se em todas as direções. Estamos a tirar imagens de satélite para conseguir ter uma dimensão real da tragédia", assegura, reiterando que "a tragédia é bastante grande".

Pedro Matos teve a possibilidade de ver o estado das zonas afetadas pelo ciclone e revela que "há água em todas as direções", até em sítios que costumavam ser mangais e palmeiras. "É um mar inteiro com água por cima das casas, das palmeiras, não se veem árvores, não se veem povoações", conta.

O português que está a trabalhar na ajuda de emergência às vítimas da Beira descreve um cenário de destruição que, inicialmente, "causou uma corrente tão forte que se pensou que uma barragem tinha rebentado".

"Essa corrente continua e continua a aumentar. Já rebentou as margens de dois rios aqui ao pé da Beira o Púnguè e o Búzi que agora correm como mares", refere, frisando que no Pungue se criou um "grande mar interior com cerca de 50 quilómetros por 40 e o Búzi com cerca de 65 quilómetros por 50".

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