Comerciantes portugueses na Venezuela vão "contornando tudo", mas não está fácil

Conselheiro das Comunidades Portuguesas em Caracas teme uma "implosão social" provocada pela escalada dos preços.

Os portugueses não são exceção: a situação para quem está na Venezuela não está nada fácil. A denúncia é feita por Fernando Campos, Conselheiro das Comunidades Portuguesas em Caracas que, em declarações à TSF, sublinha que ao nível da saúde mantém-se a dificuldade em aceder a serviços e medicamentos.

Outra das áreas em que a comunidade portuguesa está a sentir dificuldades é no comércio, atividade a que está muito ligada, e que não escapa à crise.

"A comunidade portuguesa não vive diferente dos outros. Há um poder de adaptação à situação, vamos contornando tudo. Logicamente, do ponto de vista da comunidade - grande parte está ligada ao comércio -, a situação não está fácil neste momento", explica Fernando Campos.

Há, neste momento, uma crise de vendas na Venezuela e os "fluxos de caixa estão complicados". As mudanças no sistema bancário e a dificuldade em trabalhar com o dinheiro dos bancos fazem com que o cenário não seja fácil de enfrentar. "Aí continuamos, a tratar de ver o que se faz", assegura.

Fernando Campos conta que tem receio de que a contestação da população aumente e que haja mesmo uma implosão social, isto porque o povo tem cada vez menos poder de compra.

"Talvez possa haver um bocadinho mais de oferta nos supermercados, mas não é porque estejam a distribuir mais produtos. O que se passa é que as pessoas, neste momento, já não estão a ter a capacidade para comprar que tinham antes e muitos dos produtos já estão [com preços] mais elevados do que no exterior", como é o caso de um quilo de batatas "que lá fora custa 30 cêntimos" e que na Venezuela custa "dois dólares, quase dois e meio".

O conselheiro conta que "há três meses, uma pessoa com 100 dólares fazia boas compras no mercado e podia viver durante um mês... Agora não compra quase nada". Perante este cenário, "é preciso ter cuidado", porque "há um risco maior de haver uma implosão social, as pessoas podem ver os produtos, não ter capacidade de comprar e acontecer qualquer coisa".

Esta terça-feira, as Nações Unidas pediram apoio à comunidade internacional para dar resposta ao que dizem ser um problema humanitário muito real: as estimativas são de que um quarto da população esteja a precisar de ajuda.

O Conselho de Segurança da ONU esteve reunido, a pedido dos Estados Unidos, para discutir a situação humanitária no país e ouviu da boca do responsável humanitário das Nações Unidas que é possivel fazer mais para aliviar o sofrimento dos venezuelanos, mas que para tal é precisa mais ajuda e apoio de todas as partes interessadas.

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